A urna para reciclagem de roupas

Eu tinha algumas meias que não valiam mais a pena serem remendadas, mas não sabia o que fazer com elas. Jogá-las fora nem pensar, porque esse negócio de “fora” não existe! Qualquer coisa descartada ou, como estamos acostumados a dizer, jogada no lixo vai parar em algum lugar. Felizmente, depois de uma ajudinha do Google, encontrei uma alternativa para minhas meias esburacadas. A C&A, desde setembro de 2017, mantém o Movimento ReCiclo, que recebe roupas em boas condições para reuso e peças que não podem ser reaproveitadas. Fui à loja da Rua Augusta, em São Paulo (SP), perto da Avenida Paulista, e, embora estivesse escondida em um canto sombrio, na frente de uma porta, atrapalhando a passagem de funcionários, a urna, ou caixa, se preferir, estava lá de boca aberta para receber as tais meias esburacadas.

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Entre uma cadeira e uma porta, ainda havia um cabide esquecido ao lado da boca da caixa

A urna aceita peças de roupa limpas, mas há algumas restrições.

O que vale:

  • roupas em bom estado (camisa, camiseta, calças, casacos, meias etc);
  • roupas de cama e mesa;
  • roupas rasgadas;
  • tecidos e retalhos;
  • biquinis, maiôs, sungas e cangas;
  • peças de lã e crochê;
  • bonés, cachecóis e lenços.

O que não vale:

  • chapéus e acessórios de cabelo;
  • calçados;
  • peças de couro, qualquer tipo de pele ou imitação;
  • mochilas e bolsas;
  • bijuterias;
  • artigos infantis, como ursos de pelúcia, bonecas etc;
  • roupas íntimas e toalhas de banho.

Para ver a relação de lojas que participam do Movimento ReCiclo e o regulamento completo, clique aqui! Segundo a C&A, essas urnas estão disponíveis em mais de 80 lojas pelo Brasil. Claro que a iniciativa não resolve o problema dos resíduos têxteis, mas já vale como uma opção para doação de roupas que serão reaproveitadas ou recicladas.

As roupas em boas condições chegam ao Centro Social Carisma, que organiza bazares sociais e reverte a renda da venda dos produtos para os programas desenvolvidos pela organização. As peças imprestáveis, como minhas meias furadas, são destinadas à Retalhar, empresa que as higieniza, retira e envia os aviamentos à reciclagem e, por fim, encaminha o tecido para desfibração. Esse material segue para a industria automobilística e da construção civil ou para cooperativas de costureiras.

Mas antes de procurar uma caixa do Movimento ReCiclo ou se não tiver uma iniciativa parecida com essa perto de onde você mora ou trabalha, caso não queira uma peça de roupa ou acessório, faça antes a seguinte avaliação:

  • É possível reformar ou consertar essa peça para aumentar seu tempo de uso?
  • Será que vale a pena revendê-las ou doá-las?
  • Consigo transformá-la em outra coisa? Uma camiseta pode virar pano de chão, por exemplo. Nesse caso também vale a criatividade, o que não é muito o meu forte!

Além disso, evite comprar por impulso. Tanto a C&A como uma infinidade de outras marcas são sinônimo de fast fashion, ou, em uma tradução bem livre, roupas baratas e descartáveis. Só no Brasil, estima-se que são geradas 170 mil toneladas de resíduos têxteis por ano, sendo que 80% delas vão parar em lixões e aterros sanitários. A decomposição de tecidos é um processo que pode levar meses ou até centenas de anos, como é o caso das fibras sintéticas a base de poliéster e derivados do petróleo. Esses resíduos podem contaminar o solo, a água e o ar.

Portanto, antes de pensar em jogar fora, consuma com consciência e gere menos lixo!

Antes de jogar fora sua Havaianas, leia este post – parte 2

Um dos assuntos com mais repercussão neste blog não sai do pé de brasileiros, brasileiras, estrangeiros e estrangeiras. Recebi uma foto de uma leitora que apenas se identificou como Bia. Ela contou que trabalha com projetos sociais e recebeu uma doação meio capenga, que para alguns significaria apenas lixo. Mas ela precisou apenas de um preguinho para dar vida nova a um par de sandálias havaianas rejeitado por seu antigo dono ou dona

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Olha só o preguinho segurando o suporte da tira que se rompeu

Clique aqui para ver outras sugestões de como aumentar a vida útil das sandálias sem precisar descartá-las.

E você, tem mais alguma dica? Não precisa ser apenas para sandálias havaianas. Se sim, mande-a para mim no e-mail danielnavarro@ig.com.br, no Facebook – https://www.facebook.com/menoslixopf/ – no Instagram – @menoslixo_porfavor ou deixe-a aqui nos comentários.

 

Antes de jogar fora sua Havaianas, leia este post

Quando contei aqui e no Instagram que uma das tiras da minha Havaianas se rompeu depois de cinco anos de bons serviços prestados e que o programa de reciclagem da marca é bem fraquinho, recebi dicas de como aumentar a vida útil das sandálias sem precisar descartá-las:

millalunardi – A do meu noivo aconteceu isso e ele queimou a pontinha e fez o formatinho redondo pra continuar segurando, e segue usando para não jogar fora.

michele_lcavalcante – A da minha mãe quebrou também, então dei uma sugestão de usarmos umas tiras de tecido para fazermos outras. Fizemos e ficou muito legal. Menos um lixo!

sformagio – Sabia que em feiras livres aqui em São Paulo há sempre uma barraquinha que vende pares de tiras?

vivian.barelli – Troque a tira rompida e use mais alguns anos. Existe à venda em várias cores.

Muito obrigado, pessoal!!!

E você, tem mais alguma dica? Se sim, mande-a para mim no e-mail danielnavarro@ig.com.br, no Facebook – https://www.facebook.com/menoslixopf/ – no Instagram – @menoslixo_porfavor ou deixe-a aqui nos comentários.

 

 

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Iniciativa da Havaianas recicla pouco e tem divulgação fraca

Nos anos 1970, o humorista Chico Anysio estrelava anúncios na TV, no rádio e em jornais e revistas nos quais garantia que os chinelos mais populares do país – e talvez do mundo – “não deformam, não soltam as tiras e não têm cheiro”. Mas, em 2017, depois de cinco anos de bons serviços prestados aos meus pés, uma das tiras do meu par de Havaianas se rompeu. Para fazer o descarte da melhor forma possível, entrei em contato com o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) e com a assessoria de imprensa da marca.

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De cara, recebi uma reposta-padrão bem vaga do SAC e precisei insistir para não desistir. Depois de vários e-mails e telefonemas, descobri que as sandálias, quando chegam ao fim da linha, podem ser levadas a caixas-coletoras presentes em algumas lojas da marca. A Haiah, empresa parceira da Havaianas nessa iniciativa, recolhe o material e o transforma em pisos para escolas e tapetes para playgrounds, que são doados a projetos sociais.

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Caixa-coletora da loja da rua Gaivota, em São Paulo (SP). A ideia é muito parecida com a iniciativa da Adidas que a suspendeu em 2017 como já comentei aqui

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem… ou melhor, nem tanto. As Havaianas que não vão parar nesses coletores têm como destino final os aterros sanitários – quando, obviamente, não se perdem pelo caminho e acabam poluindo o meio ambiente. De acordo com um estudo da UnB (Universidade de Brasília), a borracha empregada nas sandálias – constituída de polímeros sintéticos obtidos a partir do petróleo – levam mais de 100 anos para se decompor. Portanto, os primeiros pares de Havaianas fabricados em 1962 ainda devem estar por aí.

Embora não divulgue os números, dá para se ter certeza de que pouquíssimas sandálias vão parar nessas caixas, porque o projeto concentra-se em São Paulo. São nove lojas na capital paulista e uma em Ubatuba (SP). A exceção é a loja de Paraty, no Rio de Janeiro (RJ).

A relação completa das lojas está no final dessa postagem. E talvez esse seja o único local onde você vai encontrá-la. Não adianta procurá-la no site da Havaianaswww.havaianas.com.br – nem no da Haiah – www.haiah.com.br – porque não tem nada neles. Ambos não trazem informações sobre esse projeto de logística reversa. Também fiz uma varredura na internet e não há nada a respeito.

A assessoria de imprensa da marca merece uma menção (nada) honrosa. Encaminhei as mesmas perguntas enviadas ao SAC e o conteúdo do primeiro e-mail que recebi não me ajudou em nada: “Desculpa pela demora na resposta, mas a Havaianas também desenvolve um projeto de logística reversa, em que o consumidor devolve suas Havaianas antigas nas lojas da marca e elas viram um tapete para playgound, que são doados a projetos sociais. Por enquanto, este projeto está nas lojas próprias e em mais vinte franquias”.

Perguntei então se eu poderia receber a relação de lojas e a resposta foi surpreendente: “A Havaianas não divulga esses dados.”. Estranho, né? Muito estranho, na verdade! Por que a marca não forneceria esse tipo de informação, que é fundamental para o funcionamento do programa de logística reversa? Você, leitor ou leitora deste blog, tire suas próprias conclusões, ok? E para piorar, o número de lojas passado pela assessoria de imprensa não bate com o do SAC, que garantiu que as onze lojas participantes do projeto são próprias e franquias.

Caso more ou esteja de passagem na capital paulista, em Ubatuba ou Paraty, é extremamente recomendado entrar em contato com as lojas antes de descartar seu par de Havaianas. Você corre o risco de perder a viagem, porque essa lista é de dezembro de 2017. Confesso que entrei em contato pela primeira vez com o SAC em novembro de 2017 e só consegui ir a uma das lojas descartar meu par de chinelos em abril de 2018.

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O texto da caixa-coletora é bonitinho e simpático, mas deixa muito a desejar

Atualmente os inúmeros modelos de sandálias de borracha são vendidos em mais de uma centena de países. São 520 lojas exclusivas, além das franqueadas, e aqui no Brasil já encontrei Havaianas com os mais variados tipos de estampas e combinações de cores em supermercados, lojas de material de construção e até postos de gasolina, só para citar alguns exemplos. A Alpargatas, empresa que detém a marca Havaianas, estima que 94% dos brasileiros têm ou já tiveram um par – como o slogan anunciava – das “legítimas” e contabiliza mais de quatro bilhões de pares vendidos dentro e fora do país.

Ao longo de mais de cinco décadas, Havaianas tornou-se praticamente sinônimo de chinelo. Os números são impressionantes, sem dúvida, e se pensarmos também na concorrência, a quantidade de sandálias de borracha que circulam ou já circularam por aí chega a cifras inimagináveis. No entanto, há, por parte da Havaianas, apenas 11 locais com caixas-coletoras para as sandálias que são encaminhadas à reciclagem. Além de o programa de logística reversa carecer de divulgação, obter informações não é uma tarefa fácil. Nesse quesito, ao invés de impressionar, a Havaianas decepciona e preocupa.

Mas mesmo se todas as sandálias de borracha – da Havaianas e da concorrência – fossem recicladas, não haveria espaço para tanto piso e tapete de borracha. Além disso, a reciclagem de qualquer material é um processo complexo que demanda recursos, energia e tempo, não sendo assim tão vantajoso para o meio ambiente.

Para encerrar, deixo uma reflexão:

Se cada um de nós tem dois pés, será que precisamos de mais de um par de chinelos?

E – agora para encerrar mesmo! – conforme prometido, lá vai a lista de lojas:

  • Havaianas Rua Eleonora Cintra
  • Havaianas Rua São Bento
  • Havaianas Rua Américo Brasiliense
  • Havaianas Rua 12 de Outubro
  • Havaianas Rua Gaivota
  • Havaianas Central Plaza Shopping
  • Havaianas Conjunto Nacional
  • Espaço Havaianas Rua Oscar Freire
  • Havaianas Shopping Jardim Sul
  • Havaianas Ubatuba (SP)
  • Havaianas Paraty (RJ)

Acesse o endereço e o contatos das lojas em www.havaianas.com/pt-br/nossas-lojas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como reduzir a quantidade de lixo na hora de lavar roupas

É super simples usar a lavadora de roupas e produzir menos lixo. Basta trocar o sabão em pó por sabão de côco em barra e ralá-lo. O vinagre de álcool entra no lugar do amaciante. E o bicarbonato de sódio substitui o tira-manchas que serve – como dizem por aí – para deixar as roupas brancas ainda mais brancas. Claro que a lavadora precisa de energia elétrica para funcionar, mas o objetivo aqui, como disse antes, é produzir menos lixo – da melhor forma possível.

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Testei uma série de receitas caseiras de sabão em pó e líquido, mas, embora todas sejam muito boas, não consegui me adaptar a nenhuma delas. Então resolvi dar uma chance ao bom e velho sabão de côco em barra, só que precisei ralá-lo, o que é bem simples. Depois que consegui acertar a quantidade, não o troco por nada. Eu já o usava para lavar louça. Até já publiquei a receita de detergente que tem dado super certo (clique aqui para conhecê-la). Adianto que você também vai precisar de bicarbonato de sódio – é, parece que ele está por toda a parte! – água e álcool. Sim, são apenas quatro ingredientes!!!

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O ralador já sofreu a ação do tempo, mas continua desempenhando muito bem sua função. Não há a necessidade de descarta-lo para comprar outro

Mas voltando às roupas, a máquina de lavar aqui em casa tem capacidade para 10 quilos e eu procuro enchê-la o máximo possível para evitar o desperdício de água e de energia elétrica, diminuindo assim a quantidade de lavagens. Uma barra de sabão rende de três a quatro lavagens e serve para roupas, lençóis, toalhas de banho etc.

Para cada lavagem, além do sabão de côco ralado, adiciono o vinagre de álcool – a medida é a do reservatório reservado ao amaciante. Para as roupas brancas, coloco duas colheres de chá de bicarbonato. Mas tanto a quantidade de bicarbonato de sódio quanto a de sabão podem variar dependendo do estado em que as roupas se encontram, ou seja, se estão mais ou menos sujas ou encardidas.

Só preste atenção na hora de comprar o vinagre de álcool. Leve para casa sempre o incolor porque há opções com corante que, obviamente, mancham as roupas.

Será que precisamos de produtos de limpeza vendidos como super eficientes e poderosíssimos, mas repletos de aditivos químicos extremamente nocivos para o meio ambiente e para nossa saúde? Eu acho que não. E você, o que acha?

Experimente ler o rótulo desses produtos à venda em qualquer supermercado e compare com o sabão de côco, o vinagre e de álcool e o bicarbonato de sódio. O bicarbonato de sódio é apenas bicarbonato de sódio, né? E melhor ainda, dá para comprá-lo à granel.

Embora o sabão de côco em barra e o vinagre de álcool sejam vendidos em embalagens, a quantidade de lixo, no final das contas, é bem menor do que se levássemos para casa os produtos de limpeza das prateleiras dos supermercados. Mas preste atenção na composição do sabão de côco, porque há marcas que vendem versões cheia de aditivos desnecessários. No caso do vinagre, o ideal seria comprá-lo à granel, mas enquanto isso não aparece por aqui, opte pelos frascos feitos com PET, que são recicláveis.

Ao longo do tempo percebi que esses produtos de limpeza super eficientes e poderosíssimos, além de serem prejudiciais ao meio ambiente e à nossa saúde, são extremamente agressivos para as roupas e as danificam rapidamente. E aí o que acontece? Bom, somos obrigados a comprar roupas novas para repor aquelas que já não servem mais. Não seria melhor aumentar a vida útil das roupas? Lembre-se que consumo exagerado é sinônimo de mais lixo circulando por aí!

Adidas suspende programa de reciclagem de calçados

Preciso descartar um par de tênis de corrida que já não serve mais para correr – obviamente! -, passear nem doar para quem precisa. Então fui a dois outlets da Adidas em São Paulo (SP) para depositá-lo na caixa do programa Pegada Sustentável, que destinava calçados de quaisquer marcas e modelos para a reciclagem. Eu disse destinava porque, infelizmente, a iniciativa não está mais disponível em nenhuma loja ou outlet da marca alemã das três listras na capital paulista ou em qualquer outra cidade do país.

Esse programa da Adidas era uma alternativa interessante para o descarte de tênis usados, pois os pontos de coleta de material reciclável não os aceitam e as cooperativas, por sua vez, não dispõem de tecnologia para separar os materiais – basicamente tecido sintético, plástico e borracha – e reutilizá-los.

Mas o que houve com o Pegada Sustentável? A assessoria de imprensa da marca informou que o programa foi suspenso porque “a adesão estava muito baixa”, ou seja, pouca gente ia às lojas e outlets para entregar os calçados que já não tinham mais serventia.

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Tchau, Pegada Sustentável! Foi bom enquanto durou!!!

A assessoria de imprensa também contou que a marca não mediu esforços para divulgar a iniciativa, mas pouquíssimos veículos de comunicação se interessaram no assunto. Uma das exceções foi este blog! Há mais ou menos um ano expliquei em detalhes como o programa funcionava (clique aqui para ler o post).

Achei estranha essa justificativa da baixa adesão porque todas as vezes em que precisei descartar meus pares de tênis, as caixas estavam cheias até a tampa. Só que como não tive acesso a números, resultados estatísticas ou qualquer outra informação desse tipo, não cabe aqui especular o que poderia ou deixou de ser feito.

No entanto, a afirmação “a adesão estava muito baixa”, para mim, é preocupante. Imagino que uma infinidade de tênis acabam pendurados em fios de eletricidade por aí ou vão parar nos aterros sanitários, caso se percam no meio do caminho. E, como já disse antes, calçados são feitos de tecidos sintéticos, plástico e borracha, materiais que levam centenas de anos para se decompor e causam danos ao meio-ambiente.

Embora a assessoria de imprensa da Adidas também tenha dito que o Pegada Sustentável  volte no futuro, só me resta encontrar uma alternativa para descartar meus velhos tênis de corrida. Esse futuro é um tempo muito incerto, infelizmente, mas espero dar boas notícias em breve…

Ressalto que, com ou sem programa de reciclagem, vale a pena consumir tênis ou qualquer outra coisa de forma consciente. A reciclagem é um processo caro e complexo! Antes de pensar em reciclar aplique a fórmula 4R + C = Desperdício Zero, na qual, as letras R, representam, nesta ordem e sempre nesta ordem, Recusar (aquilo que você não precisa e pode virar lixo), Reduzir (aquilo que você precisa e está em excesso), Reutilizar (aquilo que for possível reutilizar) e Reciclar (aquilo que você não pode recusar, reduzir e reutilizar, mas precisou comprar). A letra C se refere a Compostar (aquilo que sobra e é compostável).

 

Pra que comprar roupa nova?

Emagreci dez quilos nos últimos meses e minhas roupas, obviamente, ficaram extremamente folgadas, com aquele aspecto de que – perdão! – o “defunto era maior”. Antes de me desesperar, já que as opções ficaram reduzidas, e sair por aí comprando tudo novo, respirei fundo e apliquei a fórmula 4R + C = Desperdício Zero, na qual, as letras R, representam, nesta ordem e sempre nesta ordem, Recusar (aquilo que você não precisa e pode virar lixo), Reduzir (aquilo que você precisa e está em excesso), Reutilizar (aquilo que for possível reutilizar) e Reciclar (aquilo que você não pode recusar, reduzir e reutilizar, mas precisou comprar). A letra C se refere a Compostar (aquilo que sobra e é compostável).

Mas o que isso tem a ver com roupas? Simples! Recorri ao R de Reutilizar. Sim, reutilizar aquilo que já tinha, mas precisava de ajustes. Para camisas e calças, contei com a ajuda de um alfaiate que atende aqui no bairro e desempenha essa função com maestria há mais de 40 anos. Bermudas e camisetas seguiram para os cuidados de uma costureira também aqui do bairro. E você, caro leitor ou cara leitora, procure aí onde você mora um uma alfaiataria ou uma oficina de costura e também dê nova vida às suas roupas que ainda estão em bom estado. Sempre procuro os serviços de profissionais, porque, infelizmente, não tenho aptidão nenhuma com agulha e linha. Mas caso saiba costurar, mãos à obra!!!

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Com essas atitudes, tanto eu quanto você, conseguimos fugir do fast fashion. A tradução literal desse termo é “moda rápida”, mas eu entendo essa tendência como “moda descartável”. E tudo que é descartável deve ser recusado, pois vira lixo em um piscar de olhos. Antes de comprar aquela camiseta baratinha pare para pensar onde, como e quem a produziu. Veja se realmente essa peça de roupa tem qualidade e poderá durar muitas estações. Reflita também sobre os impactos ambientais decorrentes de sua produção. Afirmo, sem medo de errar, que o barato sai muito caro tanto para nós como para o meio ambiente!!!

Se você leu esta postagem até o final, pode estar se perguntando por que eu perdi dez quilos, né? Caso tenha interesse em saber, estou treinando para a maratona de Porto Alegre, que acontecerá em junho e correr, sem dúvida, emagrece.

8 dicas para produzir menos lixo

A cada dia que passa, descubro e aprendo novas formas de diminuir o lixo que produzo. Por enquanto, compartilho oito dicas que, se adotadas, mesmo que aos poucos, já vão fazer uma grande diferença para evitar o desperdício e, assim, transformar a casa, a rua, o bairro, a cidade, o estado, o país, o continente e, claro, o planeta onde vivemos em um lugar melhor. Isso soa meio clichê… na verdade, muito clichê, mas não é legal saber que um pedaço de sacola plástica pode ir parar no estômago de um animal marinho ou que uma garrafa PET é capaz de entupir um bueiro. Não precisamos depender de ninguém para começarmos a mudar nossa realidade para melhor.

1 – Simplifique sua vida

Você precisa mesmo comprar mais um par de sapatos se já tem quinze? Mesmo sem nem conseguir guardá-los direito no armário? Um fica por cima do outro e não dá para alcançar alguns que estão lá no fundo. E tem um sapato (ou mais de um, quem sabe) que só deu para usar uma ou duas vezes porque seu pé ficou machucado. Claro que essa situação não vale apenas para sapatos! Dê uma volta pela sua casa ou apartamento e reflita sobre seus pertences e suas necessidades. Evite acumular coisas que não precisa, como contas de telefone do tempo em que nem existiam smartphones, que, agora, só entopem as gavetas, eletrodomésticos quebrados que ocupam espaço no armário da cozinha, medicamentos e cosméticos vencidos e esquecidos no banheiro etc. Dê um jeito de doar aquilo que já não é útil para você, mas pode ter serventia para outras pessoas, vender aquilo que está em bom estado e pode servir perfeitamente para outras pessoas, consertar coisas que ainda são úteis para você, ajustar roupas que ficaram largas, mas ainda estão ótimas (que tal levar aquela calça quase nova para um alfaiate ou uma costureira?) ou reciclar aquilo que realmente já não serve mais para nada, só para ocupar espaço e atrapalhar sua vida. Excesso causa desorganização no ambiente em que vivemos ou trabalhamos. A desorganização, por sua vez, leva à perda de tempo e, portanto, desperdício de energia que poderíamos empregar em atividades que realmente importam.

2 – Recuse artigos descartáveis

Sei que às vezes é bem complicado não aceitar canudinhos, copos plásticos ou guardanapos de papel. Não tem jeito, a gente nem precisa pedir e eles chegam até nós. Mas, quando possível, diga não, sem se esquecer de ser gentil – é claro!

No vídeo abaixo, Rob Greenfield passou um mês em Nova York “vestindo” o lixo que produzia. Ele aceitou tudo que lhe ofereciam, como canudos, copos, garrafas, sacolas plásticas e panfletos, e não jogou nada fora. Pelo contrário, carregou tudo em uma roupa projetada para mostrar como o lixo ocupa espaço, porque, descartamos aquilo que já não tem mais serventia e esquecemos que aquele inocente copinho de café descartável não se desintegra quando vai para a lata de lixo. Nesse experimento, ele viveu como um americano médio que, diariamente, produz cerca de dois quilos de lixo por dia. Em um mês, portanto, são 60 quilos! Para tudo que é descartável, há sempre uma alternativa que não é descartável. Que tal usarmos nossas próprias garrafas, copos ou canecas? E o guardanapo de papel? Bom, há sempre o bom e velho guardanapo de pano, né? Lavou tá novo! Claro que isso não resolve o problema, mas já diminui bastante a quantidade de lixo por aí.

3- Carregue sua própria sacola

Ter sempre à mão uma ecobag – prefiro chamá-la de sacola de pano – na bolsa, na mochila ou no porta-mala do carro, elimina a necessidade de levar para casa sacolinhas plásticas. Embora algumas dessas sacolinhas, principalmente aquelas distribuídas em supermercados – sejam oxidegradáveis, ou seja, prometem ser de rápida decomposição, elas não são tão bacanas assim quanto parecem. Além de suas partículas não se decomporem totalmente, porque não são 100% biodegradáveis, podem contaminar peixes e outros animais até entrarem na cadeia alimentar humana. Só os seres humanos sabem o que é uma sacola; os outros animais não têm condições de diferenciar uma sacola de um pedaço de alimento, seja ele qual for! Não é à toa que a tartaruga da imagem abaixo foi fotografada com um pedaço de saco plástico na boca, né?

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4 – Prefira alimentos naturais

Será que vale a pena comprar um pacote de macarrão instantâneo sabor legumes que fica pronto em apenas três minutos? Preparar um macarrão de verdade, que leva em sua composição apenas farinha, água e ovos e um molho – de verdade também! – com legumes frescos é tão prático e rápido quanto essa opção que fica pronta em três minutos. A massa da opção instantânea é feita basicamente de gordura, por isso que fica pronta tão rápido, e ainda contém uma série de ingredientes misteriosos, como “estabilizantes tripolifosfato tetrassódico”. O molho, que na verdade é um pozinho colorido, vem entupido de sódio.

A jornalista Francine Lima prova, no vídeo abaixo do canal Do campo à mesa, que, sim, é possível fazer comida de verdade, com ingredientes de verdade, de forma prática e rápida sem gastar rios de dinheiro. Não se engane! O macarrão instantâneo não é tão barato quanto parece, viu? Quase me esqueço de dizer que as embalagens plásticas tanto do macarrão, quanto do pozinho que vira molho, embora sejam feitas de plástico, não são recicláveis. É isso mesmo! Nem todo plástico é reciclável. E alguns tipos de plástico, quando chegam às cooperativas são descartados como lixo comum, porque, em alguns locais no Brasil, ainda não há tecnologia para reciclá-los. Portanto, os ingredientes fazem mal à saúde e as embalagens podem causar problemas ambientais.

Você já viu um comercial sobre tomate ou cenoura na TV? Algo como “Coma cenoura que faz bem à saúde!”. Claro que não, né? É óbvio que comer cenoura faz bem à saúde. Só que há uma infinidade de comerciais de comida processada cheia de ingredientes artificiais que tentam justificar – ou criam justificativas – como fazem bem para a saúde ou são indispensáveis no dia a dia. Ou seja, comida de verdade não precisa de propaganda. Porém, a comida que não é tão de verdade assim precisa de muita publicidade. É a velha tática do “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Sabe quem inventou isso? Não? Copie e cole essa frase no Google caso tenha curiosidade em descobrir.

5 – Faça compostagem

Ao consumir mais comida de verdade, deixando de lado as opções industrializadas, a quantidade de papel, plástico, metal e vidro tende a diminuir consideravelmente. Por outro lado, vão sobrar mais restos de frutas, vegetais, hortaliças e legumes. Caso jogue tudo no lixo comum, esse material vai direto para o aterro sanitário mais próximo da sua casa e você vai perder – acredite! – um poderoso fertilizante. Para obtê-lo, basta contar com a ajuda de minhocas. Sim! Minhocas que vivem em uma composteira doméstica, também conhecida como minhocário. Esses pequenos animais transformam os restos de alimentos em chorume, um poderoso fertilizante para plantas, flores, jardins e até hortas.

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Caso não tenha espaço em casa para fazer compostagem ou não quiser conviver com as minhocas, há pelo menos outras duas alternativas. Uma delas é levar os resíduos orgânicos para o pátio de compostagem da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo, ou, em Porto Alegre, chamar a Re-ciclo, uma empresa que busca, de bicicleta, esse material na casa dos clientes  e o transforma em adubo. Por enquanto só conheço essas opções. Caso saiba de outras, por favor, deixe-as nos comentários.

6 – Consuma menos, compre com mais qualidade

Diminuir o consumo não significa deixar de gastar dinheiro com aquilo que precisamos. Temos que comer, nos vestir, estudar, trabalhar, nos divertir etc. Mas devemos refletir sobre nossas ações e evitar o desperdício. Pode parecer repetitivo, já que na primeira dica mencionei sapatos, mas atualmente, há sapatos e outras peças do vestuário cada vez mais baratas que não chegam a durar uma estação. São tão descartáveis quanto talheres de plástico de um restaurante fast-food. Essas roupas que, além de perderem a graça, desbotam ou ficam deformadas depois de poucas lavagens, fazem parte da tendência fast fashion. Sem graça, desbotadas e deformadas, elas já não servem mais e deixam o armário entupido, vão para a doação ou até mesmo são descartadas como lixo comum e acabam enchendo ainda mais os aterros sanitários. Cada vez mais peças são confeccionadas com tecidos sintéticos, como o poliéster, que, por ser um material plástico – derivado do petróleo -, provoca uma série de impactos ambientais. E durante a lavagem, esses tipos de tecidos soltam microfibras de plástico, que chegam aos mares e oceanos e contaminam animais da base da cadeia alimentar marinha, como o plâncton. Já falei aqui neste blog sobre as microesferas de plástico, que não são muito diferentes das microfibras de plástico, e estão presentes em cosméticos, pastas de dente e sabonetes.

Além disso, as roupas, em aterros sanitários, liberam uma verdadeira mistura tóxica de poluentes, como carbono e metano. Vale mais a pena, tanto para o bolso quanto para a consciência ambiental, ter menos peças e de qualidade e durabilidade superiores. Além de durarem mais, você não vai precisar repô-las o tempo todo. E sempre que possível ajuste ou conserte suas roupas. Tem  um monte de costureiras e alfaiates por aí prontos para ajudar. Também vale a pena comprar peças de segunda mão, viu? Lembrando que isso não vale apenas para roupas. Aplique esse raciocínio para eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, móveis… bom, vou parar por aqui. Acho que já deu para entender, né?

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7 – Recicle com consciência

Separar vidro, papel, plástico, metal e resíduos orgânicos representa apenas uma das muitas partes que envolvem o complexo e oneroso processo de reciclagem. Embora hoje em dia quase tudo seja reciclável, mesmo aquilo que pode ir à reciclagem pode não ser reciclado. Isso vale, entre outros materiais, para as elegantes e práticas cápsulas de café expresso. Feitas de plástico e alumínio, elas preenchem, na teoria, todos os requisitos para serem recicladas. Mas, na prática, como o processo é extremamente caro e trabalhoso, a reciclagem acaba não acontecendo. Uma matéria publicada no jornal O Globo – clique aqui para lê-la – mostra porque vale a pena pensar duas vezes antes de tomar aquele cafezinho de cápsula. Se for possível, opte pelas opções coadas ou prensadas. Lembrando que ao utilizar a prensa francesa ou a cafeteira italiana, além da bebida só vai restar a borra do café que pode ir direto para a compostagem, ou seja, alimenta as minhocas do minhocário. E o filtro do café coado também tem acesso livre no minhocário. Eu preferi, depois que minha cafeteira elétrica parou de funcionar, deixar de lado os coadores e usar uma Prensa Francesa.

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Aquelas etiquetinhas grudadas nas cascas de frutas, legumes e verduras, que servem para informar a procedência e o produtor, não são recicláveis em hipótese nenhuma. Nem adianta considerá-las um tipo de plástico, porque, quando chegam às cooperativas, são descartadas como se fosse lixo comum e vão parar em aterros sanitários.

Quando entendemos que determinadas coisas são recicláveis e outras não, passamos a repensar o consumo. Assim, deixamos de jogar o toda a responsabilidade nas costas da reciclagem. Ao consumirmos com mais responsabilidade, descartamos melhor. Depois que passei a fazer compras a granel – utilizando meus próprios potes -,  e deixei de comprar tanta comida industrializada embalada em papelão, plástico, alumínio, e por aí vai, a quantidade de lixo reciclável diminuiu. Por outro lado, ao substituir a comida industrializada por legumes, verduras e frutas frescas e, de preferência, orgânicos, claro que a quantidade de cascas, caroços, só para citar alguns exemplos, aumentou . Sorte das minhocas que vivem na minha composteira e das plantas que se nutrem com o chorume produzido por elas. E, por favor, abra mão de sacolas e embalagens descartáveis quando você for em lojas, supermercados e farmácias. Podemos carregar na mão ou em sacolas de pano muitas coisas. Esse parágrafo está bem repetitivo – desculpe! Já falei sobre tudo isso nesta postagem, mas acho que é sempre bom reforçar alguns hábitos que fazem a diferença.

8 – Espalhe essas ideias

Se você chegou até aqui – sim, este é o último item! – e acha que outras pessoas devem ler essas dicas, por favor, compartilhe-a. Use as redes sociais ou converse pessoalmente com seus amigos e amigas sobre esses assuntos. Tente, aos poucos, mudar sua rotina. Nada acontece do dia para a noite nem da noite para o dia. Pequenas mudanças, já fazem uma grande diferença para vivermos em um mundo com menos lixo (por favor!) e sem tanto desperdício. Lembre-se o aprendizado e as descobertas de novas possibilidades e alternativas é constante.

Caso tenha mais dicas, sugestões e críticas, deixe-as nos comentários ou mande um e-mail para danielnavarro@ig.com.br

O que fazer quando os tênis se tornam imprestáveis?

Embora menos frequentes, ainda é comum ver tênis velhos pendurados pelos cadarços nos fios dos postes. Só que a brincadeira, além de perigosa, porque pode provocar curto-circuito, queimar equipamentos e desligar a energia elétrica do local, está bem longe de ser sustentável.

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Cena do documentário The Mistery of Flying Kicks, escrito e dirigido por Matthew Bate

Mas então como devemos descartar corretamente os calçados que já não tem mais condições de uso? Quando passei a correr distâncias cada vez mais longas, meus tênis começaram a ter uma vida útil, infelizmente, cada vez menor. Aí o jeito foi começar a pesquisar. Claro que eu não queria lançá-los nos fios dos postes nem descartá-lo como lixo comum. Pontos de coleta de material reciclável também não os recebem. As cooperativas não dispõem de tecnologia para separar os materiais.

A pesquisa terminou quando encontrei o programa Pegada Sustentável. As lojas ou outlets da Adidas que participam da iniciativa recebem pares de tênis de quaisquer marcas – sim, quaisquer marcas, não apenas da Adidas. Antes de depositar o calçado que não tem mais serventia em uma caixa, a gente preenche e assina um termo de doação e recebe, em troca, um cupom com desconto de 15%.

Quando já não cabe mais nada na caixa, o material é recolhido e transportando pela própria Adidas até o Centro de Distribuição, aproveitando a operação de logística existente da marca – sem gerar emissões adicionais. Em seguida, os produtos doados seguem para triagem na I:CO, entidade especializada em gestão de ciclo de vida de calçados e roupas.

Dependendo do estado em que se encontra, o o calçado terá três destinos:

  • reciclagem: a matéria-prima é aproveitada na confecção de outra peça;
  • reuso: depois de passar por um processo de higienização, o calçado retorna ao mercado de roupa usada;
  • geração de energia: o produto é descaracterizado e transformado em combustível para alimentar fornos de cimento.

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Na cidade de São Paulo, as lojas da Adidas que integram o Pegada Sustentável são as do Shopping Eldorado, Oscar Freire, Pátio Higienópolis e Morumbi Shopping. Já os outlets são os seguintes: Ibiraquera (Avenida Ibirapuera, 2335, Moema, tel.: 11 3587.9515), Shopping Metrô Itaquera, Santo Amaro (Rua Dr. Antônio Bento, 297, Santo Amaro, tel.: 11 3587.9645), Teodoro Sampaio (Rua Teodoro Sampaio, 954, Pinheiros, tel.: 3587.9641) e Vila Mariana (Rua Domingos de Morais, 193, Vila Mariana, tel.: 11 3587.9570).

Para as demais localidades, entre em contato pelo telefone 0800 55 62 77 ou acesse o site www.adidas.com.br/storefinder#/.