Como e onde descartar corretamente os medicamentos vencidos

Talvez estejam abandonados em algum canto da sua casa meia cartela de comprimidos, um resto de pomada ou um finalzinho de xarope. Como já ultrapassaram a barreira da data de validade, você não sabe o que fazer para se livrar deles, né? Nem pense em jogá-los no vaso sanitário e dar a descarga ou no lixo comum. Muitas farmácias, inclusive as de manipulação, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e supermercados recebem medicamentos vencidos, além de materiais cortantes e pontiagudos, e os encaminham ao seu destino final sem o risco de contaminar o meio ambiente.

Clicando aqui você terá acesso a uma ferramenta que busca os locais de coleta e descarte mais próximos da sua residência

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O material recolhido nesses postos de coleta segue para a incineração em usinas que trabalham de acordo com as normas ambientais. Eu mesmo visitei várias vezes a usina de incineração de Fortaleza, no Ceará, e me lembro muito bem de como tudo acontece. Os resíduos de hospitais, clínicas médicas e veterinárias e farmácias são incinerados em um forno. Os gases resultantes da queima, depois de tratados e filtrados, são liberados para a atmosfera. As cinzas seguem para aterros sanitários.

Quando os medicamentos não passam por esse processo e são lançados no sistema de esgoto, suas substâncias contaminam a água e o solo, podendo afetar o organismo e o metabolismo de peixes e outros animais, além de nós, seres humanos, que bebemos essa água e consumimos e nos alimentamos desses animais. Se os resíduos são descartados de qualquer jeito e se perdem por aí, à medida que se decompõem, contaminam o solo.

As pessoas que trabalham diretamente com resíduos, como garis e catadores, também correm perigo. Em um prédio onde morei, um funcionário, no momento em que dava o nó em um saco de lixo para fechá-lo, teve seu braço direito picado por uma agulha. Dentro do saco foram encontradas várias agulhas com o sangue de algum morador que estava fazendo algum tipo de tratamento e não descartou como devia esse perigosíssimo material. Esse morador nunca apareceu sequer para lhe pedir desculpas.

A síndica, por sua vez, não queria liberar o funcionário durante o horário de trabalho para fazer exames e receber o tratamento preventivo em um hospital nem reembolsar os custos do transporte. Para chegar ao hospital, ele precisava tomar dois ônibus – o trajeto levava pelo menos uma hora e meia – e o turno dele era das 6h às 14h. Quando perguntei à síndica se o condomínio  fornecia EPIs ao funcionário, ela achou que eu estava falando grego e tive que explicar que essa sigla significa Equipamentos de Proteção Individual. Depois de gaguejar e tentar desconversar, ela confessou que ele não usava botas nem luvas, muito menos um uniforme apropriado. O curioso é que no dia seguinte esses itens apareceram como em um passe de mágica, ele pôde ir ao hospital durante o horário de trabalho e as despesas com o transporte passaram a ser pagas.  O funcionário, felizmente, não contraiu nenhuma doença infecciosa e se recusou a procurar um advogado.

Quase me esqueci que os medicamentos vêm acondicionados em caixas de papelão com bulas impressas em papel, frascos de vidro ou de plástico e tubos de metal ou de plástico. Esses materiais obviamente podem ser encaminhados à reciclagem. As cartelas de comprimidos, feitas de alumínio e de uma camada de PVC, passam por um processo de reciclagem mais complexo, no qual há a separação dos dois componentes, e, infelizmente, há poucas empresas no Brasil especializadas nesse trabalho.

Muita gente descarta medicamentos vencidos no lixo ou no esgoto por falta de informação. Então conte para amigos e familiares que existem pontos de coleta e compartilhe essa postagem com seus contatos nas redes sociais!

5 dicas para produzir menos lixo comprando no supermercado

Levar para casa apenas a quantidade do produto que você precisa em embalagens reutilizáveis ajuda bastante a reduzir o desperdício e o descarte de resíduos e de embalagens. Em julho de 2016 contei como funcionam as compras a granel (leia mais aqui). No bairro onde moro, em Pinheiros, São Paulo (SP), há diversas opções e a minha preferida é o Empório La Granola. Abasteço meus potes de vidro e sacos de pano reutilizáveis com arroz, feijão, lentilha, azeitonas, temperos, nozes, farinha integral, frutas secas, aveia etc.

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Quinoa comprada a granel em saco de pano

Só que nem tudo é vendido assim tanto lá como em outros estabelecimentos do ramo. Embora as opções de lojas e de produtos a granel aumentem a cada dia que passa, dependendo da correria do dia a dia, nem todo mundo tem tempo, infelizmente, para ir a esse tipo de loja que também não chegou ainda em muitas cidades, bairros, ruas…

Então sobram os mercados, supermercados e hipermercados. Mas até mesmo nesses locais em que os produtos industrializados dominam as prateleiras, é possível fazer compras e diminuir – e muito! – a quantidade de lixo. Além de já sair de casa com sacolas retornáveis e planejar para não colocar no carrinho itens desnecessários, evitando assim o desperdício de tempo, dinheiro e calorias – que você não precisa ingerir -, fique atento às dicas abaixo:

1 – Inclua mais verduras, legumes e frutas e evite os alimentos processados e ultraprocessados

Os alimentos processados e ultraprocessados nem podem ser chamados de comida e sim de fórmulas. Isso mesmo, fórmulas! Um salgadinho sabor queijo ou uma bolacha recheada de “morango” são tão modificados industrialmente com a introdução de tantas substâncias capazes de modificar radicalmente sua composição que, se você ler os ingredientes, vai encontrar tudo menos alimentos. Essas fórmulas industriais embaladas em papelão e plástico – muitas vezes impossíveis de reciclar – contêm grandes quantidades de sódio, açúcar, gordura saturada e trans, conservantes e calorias proporcionam aumento de peso e podem provocar uma série de problemas de saúde, como diabetes, colesterol alto, doenças cardiovasculares, hipertensão, alergias, diversos tipos de câncer, AVC e por aí vai. Embora sejam opções muito mais baratas, em um futuro não muito distante a conta da farmácia poderá ir para as alturas.

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Frutas, legumes e verduras frescas, além de assombrosamente mais saudáveis que os “alimentos ultraprocessados, chegam até você em embalagens naturais que não são recicláveis, mas são compostáveis, o que é infinitamente melhor para o meio-ambiente. As cascas de laranja, banana ou melancia, só para citar alguns exemplos, já são perfeitas por natureza. Então pra quê fazer isso aí que aconteceu na foto abaixo? Ah, prefira orgânicos, embora exista muita gente interessada em dificultar sua comercialização.

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Mexerica, tangerina ou bergamota – você decide! – descascada vendida em bandeja de isopor embalada com plástico filme. Há necessidade disso?

Essa estratégia também vale para carne, peixe, frango e laticínios. Leve seu próprio pote ao supermercado, ao açougue ou à peixaria. Assim você evita levar para casa embalagens de plástico nem bandejas de isopor descartáveis e não precisará se preocupar com reciclagem. Assim como frutas, legumes e verduras, prefira sempre os orgânicos, caso os encontre.

2 – Prefira embalagens de papel ou de vidro

Não teve jeito, você está no supermercado e tem que comprar macarrão e molho de tomate. Dentre as opções disponíveis, escolha o macarrão que vem na embalagem de papelão, que pode ser reciclado mais facilmente que o plástico. Como eu já disse, há vários tipos de plástico e muitos não são recicláveis nem reciclados.

E para o molho? Claro que é melhor comprar tomates frescos e preparar o próprio molho, né? Se não for possível, opte pela marca que oferece potes de vidro. Esse material é 100% reciclável infinitas vezes. Como o pote do molho de macarrão não precisa ir para a reciclagem, você pode reaproveitá-lo para guardar tudo que quiser e – claro! – fazer compras a granel.

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Canela em pó armazenada no pote de vidro que originalmente continha melado de cana

3 – Opte por embalagens com maiores quantidades

Para alimentos duram bastante, como é o caso do macarrão do item acima ou os tradicionais arroz e feijão, evite levar para casa pequenas quantidades ou produtos embalados um a um. Por que não comprar cinco quilos de arroz e estocar adequadamente ou até mesmo uma garrafinha de 1 litro de iogurte em vez de um punhado de copinhos? Parecem pequenas atitudes, até insignificantes, mas, acredite, já fazem muita diferença!

4 – Cozinhe mais

Uma embalagem de comida pronta ou delivery não é apenas uma embalagem. Trata-se na verdade de uma coleção de embalagens. Apenas um pedido contém papelão, plástico e isopor, já reparou? E mesmo que você encaminhe tudo para a reciclagem, pouca coisa é aproveitada. Todo o material sujo não pode ser reciclado, desde um guardanapo de papel até a caixa de papelão para pizza com queijo grudado. Preparar a própria comida, além de diminuir a quantidade de lixo, é muito mais saudável.

5 – Plante a própria comida

Confesso que sou um desastre na jardinagem! Tenho apenas esse pé de manjericão que me ajuda na cozinha. Temperos à venda em supermercado vêm embalados em plástico, ou melhor, muito plástico. Mas se você tem mais habilidade que eu e espaço suficiente, além de temperos frescos, considere ter uma horta ou uma mini-horta em casa.

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Evite o chiclete e produza menos lixo

A cidade de São Paulo tem aproximadamente 12 milhões de habitantes. Se colocarmos um elefante africano na balança o ponteiro marcará quatro toneladas. Uma goma de mascar pesa cerca de dois gramas e seu sabor dura uns dez minutos na boca. Agora imagine que todo mundo resolveu consumir um chicletinho e o descartou depois de ficar com gosto de borracha. No fim das contas, sem considerar as embalagens de plástico e de papel, serão 24 mil quilos – ou 24 toneladas – de resíduos, o equivalente a seis elefantes.

Sim, o exemplo é bem esdrúxulo, mas acho que serve para se ter pelo menos uma ideia do tamanho da encrenca. Passando para um dado mais concreto, a cidade de Puebla, no México, possui a maior fábrica de chiclete do mundo. Por ano, são fabricadas 60 mil toneladas de chiclete, ou seja uma manada de 15 mil elefantes, sendo que 70% é destinado ao consumo doméstico e o restante segue para exportação.

A goma de mascar não é reciclável nem compostável e precisa de pelo menos cinco longos anos para se decompor. A produção industrial dessa guloseima começou nos Estados Unidos em 1872,  quando Thomas Adams fabricou o primeiro lote empregando resinas naturais. Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), entraram em cenas as substâncias sintetizadas a partir do refino do petróleo. A troca aconteceu para diminuir os custos já que a borracha sintética é mais barata que a resina natural.

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Além de grudar na sola do sapato e dar um trabalhão para tirá-lo, em Singapura, um inocente chicletinho colocado na porta de um vagão do metrô interrompeu o serviço por duas horas. Por causa do transtorno e sob o pretexto de que os custos com limpeza de ruas e calçadas estavam muito altos, em 1992, o governo baniu a importação, fabricação e venda da goma de mascar. Só em 2004, chicletes com finalidades terapêuticas – como aqueles com nicotina ou sem açúcar – podem ser comprados apenas em farmácias mediante pedido médico e documento de identificação. Turistas têm que apresentar o passaporte.

Por mais insignificante que um chicletinho pareça, pense, sem levar em conta proibições ou leis, nos impactos no meio ambiente e até nos transtornos que ele pode causar no dia a dia. Essa reflexão obviamente não se aplica apenas à goma de mascar. Pequenas atitudes reduzem o desperdício. Eu mesmo já masquei muito chiclete em um passado não tão distante assim, mas acredito que viver de maneira mais sustentável exige aprendizado e disposição. Por isso, o conhecimento é uma das ferramentas que devemos usar, sem moderação, para fazermos a diferença e vivermos em um mundo com menos lixo… por favor!

 

 

 

 

Como produzir menos lixo naqueles dias

Por motivos mais do que óbvios, que envolvem desde genética até anatomia humana, não preciso me preocupar com menstruação, mas sei que as mulheres passam por uma série de incômodos bem desagradáveis todos os meses. Além disso, estima-se que da adolescência à menopausa cada mulher precisa de 10 mil a 15 mil absorventes descartáveis externos ou internos. Produzidos basicamente com papel, algodão tratado quimicamente e plástico (tanto em sua composição como nas embalagens), o externo leva mais de um século para se decompor, enquanto o interno precisa de pelo menos um ano. Como não há tecnologia para reciclá-los, ambos vão parar, quando não se perdem no meio do caminho, em lixões ou aterros sanitários.

No entanto, percebi que algumas mulheres estão optando por trocar o absorvente descartável pelo coletor menstrual, um copinho de silicone hipoalérgico, antibacteriano, ajustável ao corpo e que coleta o sangue da menstruação e pode ser reutilizado inúmeras vezes.

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Esse é o coletor menstrual da Mirian e você já vai conhecê-la

Já que não tenho condições de compartilhar um relato pessoal sobre essa alternativa para se produzir menos lixo, conversei com a Mirian de Melo Mendes, que tem 21 anos, mora em Curitiba (PR), estuda administração e trabalha como estagiária em um consultório de cirurgia plástica. Ela me contou que usa o coletor menstrual há pouco mais de um ano e deu detalhes de como ele funciona, quais são suas vantagens e desvantagens, porque deixou de lado o absorvente descartável, entre outros assuntos. Mas antes de irmos ao que interessa, cara leitora, caso se interesse em trocar o absorvente descartável pelo coletor menstrual, por favor, converse antes com a sua ou o seu ginecologista. No final da entrevista, você vai encontrar alguns sites que vendem o copinho. Sem mais delongas, vamos ao que interessa:

Menos Lixo, Por Favor ! – Como você ficou sabendo da existência do coletor menstrual?

Mirian de Melo Mendes – Eu nunca tinha ouvido falar no assunto até começou a aparecer uma enxurrada de propagandas no Facebook e em sites e portais femininos. Sabe como são essas coisas, né? Parece que do nada um assunto explode na internet. E foi assim com o coletor menstrual. Eu fiquei bem curiosa, pesquisei bastante e só decidi comprá-lo quando soube que uma colega, a Yasmin da Conceição, o vendia. Por ser revendedora da marca Korui, ela me explicou com toda a paciência do mundo como usar o coletor. Eu tinha uma lista enorme de dúvidas!!! Afinal, pra quem usou por oito anos absorventes descartáveis, me parecia um pouco estranho imaginar dentro de mim um copinho de silicone, que não vazasse, machucasse e fosse fácil de tirar. Então, depois que ela esclareceu tudo que eu precisava saber, desembolsei R$ 75 e adquiri no final de 2016 um coletor menstrual para chamar de meu.

MLPF! – Qual era essa lista enorme de dúvidas?

MMM – A principal dúvida era sobre o tamanho do coletor, pois existem três opções: pequeno, médio e grande. E aí apareceu aquele ponto de interrogação na minha cabeça: como saber qual seria o tamanho que se ajustasse certinho à minha anatomia. Daí a Yasmin esclareceu que é necessário medir o colo do útero. Algumas mulheres vão ao ginecologista, enquanto outras medem sozinhas. Eu mesma fiz a medição e escolhi o tamanho médio. Só foi preciso cortar um pouco do cabinho do coletor, pois ele ficava sobrando. Ja vi casos de mulheres que cortaram o cabo todo, mas isso vai de cada uma. Também queria saber como devia introduzir o copinho. Ela me explicou que há várias opções de dobras e só testando dá para saber qual delas vai ajudar o copinho a entrar com mais facilidade.

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Algumas mulheres, ainda segundo a Yasmin, precisam passar lubrificante nas primeiras vezes até se adaptarem a todo o ritual de colocação e retirada do copinho. Também é necessário ficar sentada e permanecer bem relaxada. Sei por experiência própria que, se eu estiver tensa, os músculos vaginais se contraem, e aí é um inferno para colocá-lo. Na verdade, pode até machucar! Por isso, o conselho mais valioso é sempre manter a calma. Depois de matar as dúvida referentes ao tamanho e à colocação, precisava saber como fazer a manutenção do produto, isto é, limpeza e esterilização. Como eu estava acostumada a simplesmente descartar o absorvente, ela me contou como cuidar do copinho e, sinceramente, me pareceu bem simples. Eu achei que teria que usar algum produto especial para esterilizá-lo e lavá-lo depois de esvaziá-lo no banheiro. Mas é muito mais fácil do que parece. Além disso, aproveitei para ver alguns vídeos. Tem youtuber que fala só sobre o coletor! É só procurar. A última dúvida foi sobre quanto tempo precisaria para esvaziar o coletor sem que vazasse. A Yasmin contou que depende do fluxo e só saberia se o usasse. Então eu tive que usar o meu para descobrir.

MLPF! – E a transição do absorvente descartável para o coletor menstrual, como foi?

MMM – Foi uma comédia. Para as mulheres acostumadas com OB talvez deva ser mais tranquilo, mas eu só tinha usado o absorvente externo. Então ter que manusear o coletor direitinho, fazer uma dobra para fazê-lo entrar com mais facilidade e senti-lo no canal vaginal… foi tudo uma novidade. Devo ter ficado uns 20 minutos no banheiro, respirando fundo, tentando relaxar para que tudo desse certo.

MLPF! – Você já sentiu algum tipo de incômodo?

MMM – Eu nunca tive qualquer tipo de desconforto algum com o copinho. Depois que o produto se ajusta no canal vaginal, em menos de um minuto, esqueço que estou usando, pois não sinto mais nada. Mas já houve vazamentos e tive raiva porque estava na correria do trabalho, sem tempo para nada. Também já aconteceu de eu estar fora de casa, passeando, e eu não conseguir fazer com que o copinho entrasse direito ou pegasse o vácuo necessário para que encaixasse corretamente. Coletor menstrual e pressa não combinam, só para avisar!!!

MLPF! – Na sua opinião, o copinho é higiênico? Como você faz para higienizá-lo?

MMM – Sim e não tem muito segredo para cuidar dele. Basta esterilizar no primeiro uso e no final de cada ciclo. Fervo o meu por três ou quatro minutos e pronto! Uso uma panela esmaltada no fogão ou um recipiente de vidro no microondas. Durante o período menstrual eu lavo com água e seco com papel higiênico ou lenço umedecido neutro. Para mim, os absorventes externos fazem muita sujeira e ficam em contato com a pele, têm cheiro, o que não acho muito legal. Sei que algumas mulheres precisam de marcas especificas, pois têm alergia a determinados componentes. Eu, inclusive, já tive esse de problema. Com o coletor, não tem sujeira, me sinto sequinha e limpinha porque ele fica dentro de mim. Só preciso ir ao banheiro, esvaziá-lo, lavá-lo e secá-lo e colocá-lo, com calma, novamente.

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E essa é a Mirian!

MLPF! – Além de higiênico, há outras vantagens?

MMM – Além de poluir menos o meio ambiente, outra vantagem maravilhosa é a economia! Li no site da marca Inciclo que dá para economizar R$ 210,64 por ano. Eu sei que não é um valor exuberante. Mas só de não ter que me preocupar em ir a uma farmácia todo mês, procurar um modelo especifico e gastar tanto com um protetor quanto com o absorvente externo, saio no lucro.<

MLPF! – E desvantagens?

MMM – Claro que existem. Não vou omitir. Como já disse, quando estou com pressa, sem tempo, fora de casa ou bebi um pouco mais do que devia, aí, meu amigo, aparecem os problemas. Diferentemente do absorvente descartável, que como o nome já diz, é só jogar fora no lixo, o coletor requer um certo ritual. Quando estou passeando, tenho que levar uma garrafa de água na bolsa para  lavar as mãos e o copinho depois de esvaziá-lo. Aí eu o seco com papel higiênico e, com toda a calma do mundo, faço a melhor dobradura possível para que pegue vácuo e encaixe direitinho, sem nenhum “amassado”. Se o copinho não estiver perfeitamente encaixado – o que não é difícil – ele vai vazar. Às esse ritual dura cinco minutos. Mas já precisei de 15 longos minutos. Depende de quão desastrada estou no momento (risos)!

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O segredo é manter a calma “Coletor menstrual e pressa não combinam, só para avisar!!!” Esse é o coletor da Mirian sendo dobrado

MLPF! – Onde você vê o copinho à venda?

MMM – Nunca o encontrei em farmácias, mercados ou qualquer tipo loja física. Imagino que não seja possível encontra o coletor em lojas, justamente porque os absorventes descartáveis são uma fonte valiosíssima de lucro. Adquiri o meu, como já disse, com uma colega, mas existem outras marcas à venda na internet e algumas até fazem promoções do tipo “compre um e leve dois”.

MLPF! – Você já precisou trocar o seu?

MMM – Ainda não. Utilizo o mesmo coletor há pouco mais de um ano e ainda não tive problemas. Só sinto que o copinho esta mais mole, ou seja, ficou mais fácil de dobrar, e às vezes preciso verificar se ficou bem certinho, se pegou vácuo, se abriu por completo.  Nos primeiros meses eu tinha certa dificuldade para dobrá-lo e ele se abria de forma brusca no canal vaginal. Mas não vejo problema por estar assim, mas confesso que era mais prático no começo quando estava mais durinho.

MLPF! – Você conhece outras mulheres que usam o coletor menstrual?

MMM – Antes de responder, quero dizer que estou super empolgada com o fato de usar meu coletor menstrual! E lá vai um desabafo: passar oito anos usando aquele produto descartável com a superfície que parece um plástico, que em dias de calor é uma tortura, que mesmo dizendo que tem substâncias para controlar o odor, tem odor, sim senhor!, que às vezes causa alergia na pele, ficar livre – finalmente! – desses incômodos e me sentir tão bem com um produto que já existia em outros países há sei lá quantos anos, me enche de vontade de falar para todo mundo sobre o copinho!!! Porém ainda só conheço uma pessoa que o utiliza: minha colega revendedora. Uma amiga da minha irmã tentou usá-lo, mas não se adaptou. Minhas amigas até que são curiosas, fazem muitas perguntas, mas não tem coragem de migrar para o coletor. Percebi em algumas que há uma certa insegurança. Elas acham estranha a ideia de sair por aí com um copinho que coleta a menstruação dentro do canal vaginal e ter que fazer todo aquele ritual de colocá-lo, esvaziá-lo e colocá-lo novamente.

MLPF! – E quais são seus argumentos para tentar convencê-las?

MMM – Além de mencionar todas as vantagens que pude comprovar por experiência própria, tento mostrar que elas estariam contribuindo para não poluir tanto o meio ambiente. com os absorventes descartaveis, não as deixou muito animadas. Falo sobre lixões e aterros sanitários abarrotados de absorventes que demoram 100 anos para se decompor ou que são nocivos para o solo, mas mesmo assim elas não se empolgam. Mesmo quando eu conto que os absorventes descartados no vaso sanitário, além de entupi-lo, podem parar nos oceanos, isso não amolece o coração delas. Na verdade, no meu ciclo social, a única pessoa que se empolga com esses argumentos é minha irmã, a Nataly Melo Ostrowski: uma amante da natureza, do universo e da vida.

MLPF – Para terminar a conversa, você recomenda o coletor menstrual às leitoras do blog Menos Lixo, Por Favor!?

MMM – Super recomendo para todo mundo! Eu amo usar o coletor, amo a economia que faço todo mês e amo saber que estou produzindo um pouquinho menos de lixo. Sempre dá para melhorar mais, eu sei, mas estamos falando sobre o coletor menstrual, né (risos)? Também me anima muito saber que a Korui em parceria com o Projeto Raizes doou coletores menstruais para mulheres do sertão mineiro. É um gesto bem simples, mas, para mim, significa muito! Enfim, só vejo vantagens em utilizar o coletor. Mas acho que muitas mulheres ainda estão presas aos absorventes descartáveis por falta de informação, dinheiro – infelizmente! -, insegurança, preguiça e por aí vai.

Pois bem, cara leitora, caso você chegou até aqui, talvez já tenha considerado a hipótese de deixar de lado o absorvente descartável e partir para o coletor menstrual. Conforme prometido, deixo algumas opções de marcas disponíveis no mercado. Mas lembre-se, como se trata de saúde e esse é um assunto super sério, converse antes com a sua ou o seu ginecologista.

Korui
Inciclo
HolyCup!
Me Luna
Mooncup
Liberdade com Copinho – essa é a página da Yasmin Conceição, a colega da Mirian que vendeu o coletor menstrual para ela. Além de vender o copinho da Korui, tem muita dicas e informações sobre o assunto.

Porque e como uso guardanapos de pano

Uma das alternativas para produzir menos lixo consiste em recusar tudo aquilo que for descartável, inclusive guardanapos de papel. A produção de cada um deles envolve celulose, água, energia elétrica e uma série de outras matérias-primas. E você já reparou que alguns guardanapos de papel vêm em embalagens individuais de plástico?

O plástico é reciclável, mas nem todos os tipos de plástico são recicláveis ou há tecnologia disponível para reciclá-los. O papel, assim como o plástico, também pode ser encaminhado à reciclagem. No entanto, se o guardanapo entrar em contato com restos de alimento ou de gordura, perde sua capacidade de reciclagem e contamina outros papéis. Lembre-se que a reciclagem é um processo industrial complexo que requer energia, água e até mesmo produtos químicos.

Portanto, antes de pensar em reciclar, é melhor reutilizar. Claro que é impossível usar mais de uma vez o guardanapo de papel! Mas é possível substitui-lo pelo bom e velho guardanapo de pano. Obviamente que para fabricá-los também há gasto de água, energia elétrica e matérias-primas. Porém, eles são reutilizáveis. E a água não é empregada também na lavagem. Mesmo assim, na minha modesta opinião, os guardanapos de pano valem mais a pena que a versão de papel descartável.

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Esse modelo aí da foto é meu. Para lavá-lo, só preciso deixá-lo de molho na água – quente, de preferência – com um pouco de sabão em pó.

Além de usá-lo em casa em todas as refeições – não apenas em ocasiões especiais -, dá para levá-lo na bolsa ou na mochila e sacá-lo para limpar a boca em restaurantes, lanchonetes, padarias ou quaisquer outros estabelecimentos comerciais onde se come e bebe. E em banheiros são super úteis para enxugar a mão. Assim você também evita os papéis toalha.

8 dicas para produzir menos lixo

A cada dia que passa, descubro e aprendo novas formas de diminuir o lixo que produzo. Por enquanto, compartilho oito dicas que, se adotadas, mesmo que aos poucos, já vão fazer uma grande diferença para evitar o desperdício e, assim, transformar a casa, a rua, o bairro, a cidade, o estado, o país, o continente e, claro, o planeta onde vivemos em um lugar melhor. Isso soa meio clichê… na verdade, muito clichê, mas não é legal saber que um pedaço de sacola plástica pode ir parar no estômago de um animal marinho ou que uma garrafa PET é capaz de entupir um bueiro. Não precisamos depender de ninguém para começarmos a mudar nossa realidade para melhor.

1 – Simplifique sua vida

Você precisa mesmo comprar mais um par de sapatos se já tem quinze? Mesmo sem nem conseguir guardá-los direito no armário? Um fica por cima do outro e não dá para alcançar alguns que estão lá no fundo. E tem um sapato (ou mais de um, quem sabe) que só deu para usar uma ou duas vezes porque seu pé ficou machucado. Claro que essa situação não vale apenas para sapatos! Dê uma volta pela sua casa ou apartamento e reflita sobre seus pertences e suas necessidades. Evite acumular coisas que não precisa, como contas de telefone do tempo em que nem existiam smartphones, que, agora, só entopem as gavetas, eletrodomésticos quebrados que ocupam espaço no armário da cozinha, medicamentos e cosméticos vencidos e esquecidos no banheiro etc. Dê um jeito de doar aquilo que já não é útil para você, mas pode ter serventia para outras pessoas, vender aquilo que está em bom estado e pode servir perfeitamente para outras pessoas, consertar coisas que ainda são úteis para você, ajustar roupas que ficaram largas, mas ainda estão ótimas (que tal levar aquela calça quase nova para um alfaiate ou uma costureira?) ou reciclar aquilo que realmente já não serve mais para nada, só para ocupar espaço e atrapalhar sua vida. Excesso causa desorganização no ambiente em que vivemos ou trabalhamos. A desorganização, por sua vez, leva à perda de tempo e, portanto, desperdício de energia que poderíamos empregar em atividades que realmente importam.

2 – Recuse artigos descartáveis

Sei que às vezes é bem complicado não aceitar canudinhos, copos plásticos ou guardanapos de papel. Não tem jeito, a gente nem precisa pedir e eles chegam até nós. Mas, quando possível, diga não, sem se esquecer de ser gentil – é claro!

No vídeo abaixo, Rob Greenfield passou um mês em Nova York “vestindo” o lixo que produzia. Ele aceitou tudo que lhe ofereciam, como canudos, copos, garrafas, sacolas plásticas e panfletos, e não jogou nada fora. Pelo contrário, carregou tudo em uma roupa projetada para mostrar como o lixo ocupa espaço, porque, descartamos aquilo que já não tem mais serventia e esquecemos que aquele inocente copinho de café descartável não se desintegra quando vai para a lata de lixo. Nesse experimento, ele viveu como um americano médio que, diariamente, produz cerca de dois quilos de lixo por dia. Em um mês, portanto, são 60 quilos! Para tudo que é descartável, há sempre uma alternativa que não é descartável. Que tal usarmos nossas próprias garrafas, copos ou canecas? E o guardanapo de papel? Bom, há sempre o bom e velho guardanapo de pano, né? Lavou tá novo! Claro que isso não resolve o problema, mas já diminui bastante a quantidade de lixo por aí.

3- Carregue sua própria sacola

Ter sempre à mão uma ecobag – prefiro chamá-la de sacola de pano – na bolsa, na mochila ou no porta-mala do carro, elimina a necessidade de levar para casa sacolinhas plásticas. Embora algumas dessas sacolinhas, principalmente aquelas distribuídas em supermercados – sejam oxidegradáveis, ou seja, prometem ser de rápida decomposição, elas não são tão bacanas assim quanto parecem. Além de suas partículas não se decomporem totalmente, porque não são 100% biodegradáveis, podem contaminar peixes e outros animais até entrarem na cadeia alimentar humana. Só os seres humanos sabem o que é uma sacola; os outros animais não têm condições de diferenciar uma sacola de um pedaço de alimento, seja ele qual for! Não é à toa que a tartaruga da imagem abaixo foi fotografada com um pedaço de saco plástico na boca, né?

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4 – Prefira alimentos naturais

Será que vale a pena comprar um pacote de macarrão instantâneo sabor legumes que fica pronto em apenas três minutos? Preparar um macarrão de verdade, que leva em sua composição apenas farinha, água e ovos e um molho – de verdade também! – com legumes frescos é tão prático e rápido quanto essa opção que fica pronta em três minutos. A massa da opção instantânea é feita basicamente de gordura, por isso que fica pronta tão rápido, e ainda contém uma série de ingredientes misteriosos, como “estabilizantes tripolifosfato tetrassódico”. O molho, que na verdade é um pozinho colorido, vem entupido de sódio.

A jornalista Francine Lima prova, no vídeo abaixo do canal Do campo à mesa, que, sim, é possível fazer comida de verdade, com ingredientes de verdade, de forma prática e rápida sem gastar rios de dinheiro. Não se engane! O macarrão instantâneo não é tão barato quanto parece, viu? Quase me esqueço de dizer que as embalagens plásticas tanto do macarrão, quanto do pozinho que vira molho, embora sejam feitas de plástico, não são recicláveis. É isso mesmo! Nem todo plástico é reciclável. E alguns tipos de plástico, quando chegam às cooperativas são descartados como lixo comum, porque, em alguns locais no Brasil, ainda não há tecnologia para reciclá-los. Portanto, os ingredientes fazem mal à saúde e as embalagens podem causar problemas ambientais.

Você já viu um comercial sobre tomate ou cenoura na TV? Algo como “Coma cenoura que faz bem à saúde!”. Claro que não, né? É óbvio que comer cenoura faz bem à saúde. Só que há uma infinidade de comerciais de comida processada cheia de ingredientes artificiais que tentam justificar – ou criam justificativas – como fazem bem para a saúde ou são indispensáveis no dia a dia. Ou seja, comida de verdade não precisa de propaganda. Porém, a comida que não é tão de verdade assim precisa de muita publicidade. É a velha tática do “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Sabe quem inventou isso? Não? Copie e cole essa frase no Google caso tenha curiosidade em descobrir.

5 – Faça compostagem

Ao consumir mais comida de verdade, deixando de lado as opções industrializadas, a quantidade de papel, plástico, metal e vidro tende a diminuir consideravelmente. Por outro lado, vão sobrar mais restos de frutas, vegetais, hortaliças e legumes. Caso jogue tudo no lixo comum, esse material vai direto para o aterro sanitário mais próximo da sua casa e você vai perder – acredite! – um poderoso fertilizante. Para obtê-lo, basta contar com a ajuda de minhocas. Sim! Minhocas que vivem em uma composteira doméstica, também conhecida como minhocário. Esses pequenos animais transformam os restos de alimentos em chorume, um poderoso fertilizante para plantas, flores, jardins e até hortas.

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Caso não tenha espaço em casa para fazer compostagem ou não quiser conviver com as minhocas, há pelo menos outras duas alternativas. Uma delas é levar os resíduos orgânicos para o pátio de compostagem da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo, ou, em Porto Alegre, chamar a Re-ciclo, uma empresa que busca, de bicicleta, esse material na casa dos clientes  e o transforma em adubo. Por enquanto só conheço essas opções. Caso saiba de outras, por favor, deixe-as nos comentários.

6 – Consuma menos, compre com mais qualidade

Diminuir o consumo não significa deixar de gastar dinheiro com aquilo que precisamos. Temos que comer, nos vestir, estudar, trabalhar, nos divertir etc. Mas devemos refletir sobre nossas ações e evitar o desperdício. Pode parecer repetitivo, já que na primeira dica mencionei sapatos, mas atualmente, há sapatos e outras peças do vestuário cada vez mais baratas que não chegam a durar uma estação. São tão descartáveis quanto talheres de plástico de um restaurante fast-food. Essas roupas que, além de perderem a graça, desbotam ou ficam deformadas depois de poucas lavagens, fazem parte da tendência fast fashion. Sem graça, desbotadas e deformadas, elas já não servem mais e deixam o armário entupido, vão para a doação ou até mesmo são descartadas como lixo comum e acabam enchendo ainda mais os aterros sanitários. Cada vez mais peças são confeccionadas com tecidos sintéticos, como o poliéster, que, por ser um material plástico – derivado do petróleo -, provoca uma série de impactos ambientais. E durante a lavagem, esses tipos de tecidos soltam microfibras de plástico, que chegam aos mares e oceanos e contaminam animais da base da cadeia alimentar marinha, como o plâncton. Já falei aqui neste blog sobre as microesferas de plástico, que não são muito diferentes das microfibras de plástico, e estão presentes em cosméticos, pastas de dente e sabonetes.

Além disso, as roupas, em aterros sanitários, liberam uma verdadeira mistura tóxica de poluentes, como carbono e metano. Vale mais a pena, tanto para o bolso quanto para a consciência ambiental, ter menos peças e de qualidade e durabilidade superiores. Além de durarem mais, você não vai precisar repô-las o tempo todo. E sempre que possível ajuste ou conserte suas roupas. Tem  um monte de costureiras e alfaiates por aí prontos para ajudar. Também vale a pena comprar peças de segunda mão, viu? Lembrando que isso não vale apenas para roupas. Aplique esse raciocínio para eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, móveis… bom, vou parar por aqui. Acho que já deu para entender, né?

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7 – Recicle com consciência

Separar vidro, papel, plástico, metal e resíduos orgânicos representa apenas uma das muitas partes que envolvem o complexo e oneroso processo de reciclagem. Embora hoje em dia quase tudo seja reciclável, mesmo aquilo que pode ir à reciclagem pode não ser reciclado. Isso vale, entre outros materiais, para as elegantes e práticas cápsulas de café expresso. Feitas de plástico e alumínio, elas preenchem, na teoria, todos os requisitos para serem recicladas. Mas, na prática, como o processo é extremamente caro e trabalhoso, a reciclagem acaba não acontecendo. Uma matéria publicada no jornal O Globo – clique aqui para lê-la – mostra porque vale a pena pensar duas vezes antes de tomar aquele cafezinho de cápsula. Se for possível, opte pelas opções coadas ou prensadas. Lembrando que ao utilizar a prensa francesa ou a cafeteira italiana, além da bebida só vai restar a borra do café que pode ir direto para a compostagem, ou seja, alimenta as minhocas do minhocário. E o filtro do café coado também tem acesso livre no minhocário. Eu preferi, depois que minha cafeteira elétrica parou de funcionar, deixar de lado os coadores e usar uma Prensa Francesa.

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Aquelas etiquetinhas grudadas nas cascas de frutas, legumes e verduras, que servem para informar a procedência e o produtor, não são recicláveis em hipótese nenhuma. Nem adianta considerá-las um tipo de plástico, porque, quando chegam às cooperativas, são descartadas como se fosse lixo comum e vão parar em aterros sanitários.

Quando entendemos que determinadas coisas são recicláveis e outras não, passamos a repensar o consumo. Assim, deixamos de jogar o toda a responsabilidade nas costas da reciclagem. Ao consumirmos com mais responsabilidade, descartamos melhor. Depois que passei a fazer compras a granel – utilizando meus próprios potes -,  e deixei de comprar tanta comida industrializada embalada em papelão, plástico, alumínio, e por aí vai, a quantidade de lixo reciclável diminuiu. Por outro lado, ao substituir a comida industrializada por legumes, verduras e frutas frescas e, de preferência, orgânicos, claro que a quantidade de cascas, caroços, só para citar alguns exemplos, aumentou . Sorte das minhocas que vivem na minha composteira e das plantas que se nutrem com o chorume produzido por elas. E, por favor, abra mão de sacolas e embalagens descartáveis quando você for em lojas, supermercados e farmácias. Podemos carregar na mão ou em sacolas de pano muitas coisas. Esse parágrafo está bem repetitivo – desculpe! Já falei sobre tudo isso nesta postagem, mas acho que é sempre bom reforçar alguns hábitos que fazem a diferença.

8 – Espalhe essas ideias

Se você chegou até aqui – sim, este é o último item! – e acha que outras pessoas devem ler essas dicas, por favor, compartilhe-a. Use as redes sociais ou converse pessoalmente com seus amigos e amigas sobre esses assuntos. Tente, aos poucos, mudar sua rotina. Nada acontece do dia para a noite nem da noite para o dia. Pequenas mudanças, já fazem uma grande diferença para vivermos em um mundo com menos lixo (por favor!) e sem tanto desperdício. Lembre-se o aprendizado e as descobertas de novas possibilidades e alternativas é constante.

Caso tenha mais dicas, sugestões e críticas, deixe-as nos comentários ou mande um e-mail para danielnavarro@ig.com.br

Eliminei os filtros de café da minha vida

Não vivo sem café! Mas ficava incomodado ao prepará-lo utilizando filtros de papel. As embalagens de papelão também não me deixavam muito à vontade. Como já mencionei neste blog, tenho uma composteira doméstica e a minhocas que vivem nela reciclam o papel do filtro e a borra do café transformando-os com outros resíduos orgânicos em biofertilizante. E o papelão da embalagem sempre vai – sem hesitação – direto para a reciclagem.

Há várias maneiras de fazer café sem filtro de papel. Desde os tempos mais remotos existe o coador de pano. Depois de passar o cafezinho, basta lavá-lo que ele fica pronto para outra. Também tem aquela cafeteira italiana que parece um bule e vai direto ao fogo. Assim como o café coado, basta lavar o “bule” para repetir o processo.

Mas acabei optando pela Prensa Francesa, que também é conhecida como Cafetière à piston, Press Pot, Coffee Plunger, ou Cafeteira. Na verdade, o que menos importa é nome. Importante mesmo é que consegui dispensar o filtro de papel e não preciso mais utilizar energia elétrica! E essa cafeteira não é nenhuma novidade. Arqueólogos do café – se é que essa profissão existe – apontam o surgimento desse artefato em cozinhas francesas já em meados de 1850. Porém só em 1929 o designer italiano Attilio Calimani a aperfeiçoou e, finalmente, registrou sua patente.

Não sou barista, mas sei que a Prensa Francesa consegue preservar os óleos essenciais do café que o filtro de papel absorve, resultando na perda de sabor e de aroma, o que, para mim, é um bom motivo para não comprá-lo nunca mais.

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Confesso que usei por anos a fio cafeteiras elétricas de várias marcas e modelos com filtros de papel de diversas marcas e tamanhos. Mas a Prensa Francesa só chegou aqui em casa depois que minha derradeira cafeteira elétrica pifou. Quando a deixei na assistência técnica, a atendente disse que talvez minha máquina, por ter mais de cinco anos de fabricação, já não teria mais peças disponíveis para substituição. Essa é a tal da obsolescência, um conceito que impulsiona o consumo desenfreado e serve para qualquer produto, inclusive a cafeteira elétrica desta postagem: eu teria que comprar outra máquina mais “moderna”, mas que desempenha a mesma função: fazer café!

Dias depois a atendente me ligou, informou que havia peças de reposição e o conserto sairia por R$ 150 – quase o preço de uma nova. Ou seja, compensaria mais comprar outra cafeteira do que consertá-la. Olha aí a obsolescência atacando novamente. Como ela garantiu que o plástico, os metais e os demais componentes cafeteira seriam reciclados, nem fui buscá-la.

Essa foi a deixa para eu investir em uma Prensa Francesa. Embora tenha custado um pouco mais do que o conserto da cafeteira elétrica, não vou mais precisar mais gastar com filtros de papel nem com eletricidade. Um dia – queria saber fazer o cálculo, mas sou péssimo em matemática -, o investimento vai se se pagar. E se houver alguma avaria, não é complicado encontrar peças de reposição.

O preparo do café na Prensa Francesa, além de simples, me agrada muito e o considero, na verdade, um ritual:

  1. Escalde a prensa com água filtrada – o cloro da torneira também elimina os tais óleos essenciais do café – para pré-aquecer o recipiente. Em seguida, descarte a água;
  2. Adicione o café e a água quente (não pode ferver);
  3. Coloque a tampa com o êmbolo para cima (ainda não o empurre para baixo) e deixe o café ficar em infusão por 4 minutos;
  4. Empurre o êmbolo para baixo levemente até atingir o fundo, prensando todo o pó do café. Pronto! É prático e rápido. Não tem segredo!

Grazie mille, Attilio Calimani! Merci beaucoup a todos os franceses desconhecidos que desenvolveram esse método no século 19!