Como e onde descartar corretamente os medicamentos vencidos

Talvez estejam abandonados em algum canto da sua casa meia cartela de comprimidos, um resto de pomada ou um finalzinho de xarope. Como já ultrapassaram a barreira da data de validade, você não sabe o que fazer para se livrar deles, né? Nem pense em jogá-los no vaso sanitário e dar a descarga ou no lixo comum. Muitas farmácias, inclusive as de manipulação, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e supermercados recebem medicamentos vencidos, além de materiais cortantes e pontiagudos, e os encaminham ao seu destino final sem o risco de contaminar o meio ambiente.

Clicando aqui você terá acesso a uma ferramenta que busca os locais de coleta e descarte mais próximos da sua residência

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O material recolhido nesses postos de coleta segue para a incineração em usinas que trabalham de acordo com as normas ambientais. Eu mesmo visitei várias vezes a usina de incineração de Fortaleza, no Ceará, e me lembro muito bem de como tudo acontece. Os resíduos de hospitais, clínicas médicas e veterinárias e farmácias são incinerados em um forno. Os gases resultantes da queima, depois de tratados e filtrados, são liberados para a atmosfera. As cinzas seguem para aterros sanitários.

Quando os medicamentos não passam por esse processo e são lançados no sistema de esgoto, suas substâncias contaminam a água e o solo, podendo afetar o organismo e o metabolismo de peixes e outros animais, além de nós, seres humanos, que bebemos essa água e consumimos e nos alimentamos desses animais. Se os resíduos são descartados de qualquer jeito e se perdem por aí, à medida que se decompõem, contaminam o solo.

As pessoas que trabalham diretamente com resíduos, como garis e catadores, também correm perigo. Em um prédio onde morei, um funcionário, no momento em que dava o nó em um saco de lixo para fechá-lo, teve seu braço direito picado por uma agulha. Dentro do saco foram encontradas várias agulhas com o sangue de algum morador que estava fazendo algum tipo de tratamento e não descartou como devia esse perigosíssimo material. Esse morador nunca apareceu sequer para lhe pedir desculpas.

A síndica, por sua vez, não queria liberar o funcionário durante o horário de trabalho para fazer exames e receber o tratamento preventivo em um hospital nem reembolsar os custos do transporte. Para chegar ao hospital, ele precisava tomar dois ônibus – o trajeto levava pelo menos uma hora e meia – e o turno dele era das 6h às 14h. Quando perguntei à síndica se o condomínio  fornecia EPIs ao funcionário, ela achou que eu estava falando grego e tive que explicar que essa sigla significa Equipamentos de Proteção Individual. Depois de gaguejar e tentar desconversar, ela confessou que ele não usava botas nem luvas, muito menos um uniforme apropriado. O curioso é que no dia seguinte esses itens apareceram como em um passe de mágica, ele pôde ir ao hospital durante o horário de trabalho e as despesas com o transporte passaram a ser pagas.  O funcionário, felizmente, não contraiu nenhuma doença infecciosa e se recusou a procurar um advogado.

Quase me esqueci que os medicamentos vêm acondicionados em caixas de papelão com bulas impressas em papel, frascos de vidro ou de plástico e tubos de metal ou de plástico. Esses materiais obviamente podem ser encaminhados à reciclagem. As cartelas de comprimidos, feitas de alumínio e de uma camada de PVC, passam por um processo de reciclagem mais complexo, no qual há a separação dos dois componentes, e, infelizmente, há poucas empresas no Brasil especializadas nesse trabalho.

Muita gente descarta medicamentos vencidos no lixo ou no esgoto por falta de informação. Então conte para amigos e familiares que existem pontos de coleta e compartilhe essa postagem com seus contatos nas redes sociais!

O que fazer com a bituca de cigarro?

Muita gente acha que praia, além de uma grande lixeira, não passa de um cinzeiro. Os filtros de cigarro ocupam o primeiro lugar no ranking dos dez tipos de resíduos mais encontrados no litoral do Brasil. Nos outros degraus do pódio aparecem tampas de garrafa PET e canudos. Em seguida vêm garrafas, sacolas e embalagens plásticas, copos e pratos descartáveis, garrafas de vidro, pedaços de isopor e talheres de plástico. O levantamento foi realizado a partir dos mutirões de limpeza da Semana Mares Limpos de 2017, organizado pela ONU Ambiente em parceria com o Instituto Ecosurf.

Esse problema infelizmente não se restringe às areias das praias. Basta dar poucos passos para encontrar bitucas jogadas pelas calçadas e nas sarjetas de qualquer cidade do país. E quando chove, as bitucas incham e se tornam uma das responsáveis pelo entupimento de bueiros e das enchentes. Há também quem insista em arremessá-las pela janela dos carros na beira das rodovias. Segundo o Governo do Estado de São Paulo – só para citar um exemplo -, o arremesso de bitucas é um dos principais causadores de incêndios. As queimadas provocam danos ambientais gravíssimos e reduzem a visibilidade dos motoristas por conta da fumaça.

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Uma única bituca precisa de pelo menos cinco anos para se decompor e o cigarro por si só contém mais de 4,7 mil substâncias tóxicas que contaminam o ar, o solo e a água – do mar, dos rios e dos córregos. Claro que nem todo o mundo vê o planeta como um enorme cinzeiro e se preocupa em descartar corretamente os restos de cigarro. Mas mesmo assim, há apenas duas alternativas: aterros sanitários – quando chegam até eles – e reciclagem.

O problema é que a reciclagem ainda não ocorre em larga escala, embora já existam tecnologias capazes de retirar elementos químicos das bitucas para transformá-las em matéria-prima para indústrias siderúrgica, de cimento, de plástico, de papel, de adubo e até de fibras naturais. Mas vale a pena lembrar que qualquer processo de reciclagem é extremamente complexo e requer energia e recursos naturais.

Já que o descarte – mesmo que correto – e a reciclagem não resolvem o problema das bitucas de cigarro, o que fazer com elas? Acho que a resposta é bem simples, mas, dessa vez, convido você, leitor ou leitora, deste blog, a apontar as alternativas ou a alternativa, caso a tenha. Então, registre, por favor, sua opinião nos comentários, ok?

 

 

Como reduzir a quantidade de lixo na hora de lavar roupas

É super simples usar a lavadora de roupas e produzir menos lixo. Basta trocar o sabão em pó por sabão de côco em barra e ralá-lo. O vinagre de álcool entra no lugar do amaciante. E o bicarbonato de sódio substitui o tira-manchas que serve – como dizem por aí – para deixar as roupas brancas ainda mais brancas. Claro que a lavadora precisa de energia elétrica para funcionar, mas o objetivo aqui, como disse antes, é produzir menos lixo – da melhor forma possível.

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Testei uma série de receitas caseiras de sabão em pó e líquido, mas, embora todas sejam muito boas, não consegui me adaptar a nenhuma delas. Então resolvi dar uma chance ao bom e velho sabão de côco em barra, só que precisei ralá-lo, o que é bem simples. Depois que consegui acertar a quantidade, não o troco por nada. Eu já o usava para lavar louça. Até já publiquei a receita de detergente que tem dado super certo (clique aqui para conhecê-la). Adianto que você também vai precisar de bicarbonato de sódio – é, parece que ele está por toda a parte! – água e álcool. Sim, são apenas quatro ingredientes!!!

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O ralador já sofreu a ação do tempo, mas continua desempenhando muito bem sua função. Não há a necessidade de descarta-lo para comprar outro

Mas voltando às roupas, a máquina de lavar aqui em casa tem capacidade para 10 quilos e eu procuro enchê-la o máximo possível para evitar o desperdício de água e de energia elétrica, diminuindo assim a quantidade de lavagens. Uma barra de sabão rende de três a quatro lavagens e serve para roupas, lençóis, toalhas de banho etc.

Para cada lavagem, além do sabão de côco ralado, adiciono o vinagre de álcool – a medida é a do reservatório reservado ao amaciante. Para as roupas brancas, coloco duas colheres de chá de bicarbonato. Mas tanto a quantidade de bicarbonato de sódio quanto a de sabão podem variar dependendo do estado em que as roupas se encontram, ou seja, se estão mais ou menos sujas ou encardidas.

Só preste atenção na hora de comprar o vinagre de álcool. Leve para casa sempre o incolor porque há opções com corante que, obviamente, mancham as roupas.

Será que precisamos de produtos de limpeza vendidos como super eficientes e poderosíssimos, mas repletos de aditivos químicos extremamente nocivos para o meio ambiente e para nossa saúde? Eu acho que não. E você, o que acha?

Experimente ler o rótulo desses produtos à venda em qualquer supermercado e compare com o sabão de côco, o vinagre e de álcool e o bicarbonato de sódio. O bicarbonato de sódio é apenas bicarbonato de sódio, né? E melhor ainda, dá para comprá-lo à granel.

Embora o sabão de côco em barra e o vinagre de álcool sejam vendidos em embalagens, a quantidade de lixo, no final das contas, é bem menor do que se levássemos para casa os produtos de limpeza das prateleiras dos supermercados. Mas preste atenção na composição do sabão de côco, porque há marcas que vendem versões cheia de aditivos desnecessários. No caso do vinagre, o ideal seria comprá-lo à granel, mas enquanto isso não aparece por aqui, opte pelos frascos feitos com PET, que são recicláveis.

Ao longo do tempo percebi que esses produtos de limpeza super eficientes e poderosíssimos, além de serem prejudiciais ao meio ambiente e à nossa saúde, são extremamente agressivos para as roupas e as danificam rapidamente. E aí o que acontece? Bom, somos obrigados a comprar roupas novas para repor aquelas que já não servem mais. Não seria melhor aumentar a vida útil das roupas? Lembre-se que consumo exagerado é sinônimo de mais lixo circulando por aí!

O detergente feito em casa com 4 ingredientes

Louça precisa ser lavada. Não tem jeito! Digo isso porque nunca gostei muito de executar essa tarefa. Mas fazer o quê, né? Uma das coisas que me incomodava, além do trabalho em si, era comprar detergente em frascos de plástico. Embora sejam recicláveis, a reciclagem é um processo complexo que demanda muita energia e recursos naturais. Ao preparar em casa – ou no apartamento – o próprio detergente, não precisamos mais nos preocupar com embalagens nem com aditivos químicos que poluem e fazem mal à saúde.

Bastam quatro ingredientes para preparar um poderoso lava-louças líquido que limpa e tirar a gordura – até a mais profunda e grudenta – de talheres, pratos, panelas e demais utensílios domésticos.

  • uma barra de sabão de côco (100g)
  • 1,5 litro de água
  • uma colher de sopa de bicarbonato de sódio
  • 25 ml de álcool

As quantidades podem variar de acordo com sua necessidade. Para fazer mais ou menos detergente, aplique a boa e velha regra de três. Se quiser deixá-lo mais concentrado, diminua a quantidade de água. Adianto que esse detergente fica mais líquido que a versão industrializada, mas funciona que é uma beleza!!!

Ainda há um quinto ingrediente: gotas de óleo essencial da fragrância que preferir. Eu optei por não inclui-lo no preparo, então minha versão obviamente não tem perfume. Tente usar o sabão de côco mais “puro” possível, sem tantos aditivos químicos com nomes indecifráveis. Aliás, você já reparou que boa parte dos detergentes à venda tem uma lista enorme de componentes que, para muita gente, podem causar alergias e são prejudiciais ao meio ambiente? Ainda não? Então se tiver um tempinho dê uma olhada e descubra que tem muita coisa que não é nada legal.

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Bicarbonato de sódio – comprado à granel

Já existem marcas mais sustentáveis, mas ainda são muito caras e vêm acondicionadas em embalagens de plástico. Até já falei neste sobre uma opção retornável neste blog (Clique aqui para conhecê-la). Porém, reduzir as embalagens e fazer em casa o próprio detergente é ainda mais sustentável.

Então, sem mais delongas, vamos ao modo de preparo:

Rale o sabão de côco e o coloque na panela com meio litro de água quente. Mexa a mistura para ajudar a dissolver o sabão e vá despejando o restante da água. Em seguida, acrescente o bicarbonato de sódio. Deixe esfriar e adicione o álcool. Aproveite embalagens de plástico (se não tiver outra opção) ou de vidro para acondicionar seu detergente caseiro com apenas quatro ingredientes – ou cinco, se desejar incluir as gotas de óleo essencial.

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Sabão de côco ralado – talvez essa seja a etapa mais trabalhosa, mas não leva nem cinco minutos para conclui-la.

Sua louça vai ficar limpinha, você não precisará mais descartar embalagens de plástico, poluirá menos o meio ambiente e sua pele ficará livre de agentes irritantes e/ou alergênicos. E não se esqueça de usar a bucha vegetal. Já falei sobre esse assunto aqui!

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Eis o poderoso detergente. O preparo é mais rápido que enfrentar a fila do caixa no supermercado!

Claro que para fazer o detergente caseiro com apenas quatro ingredientes, há produção de lixo, mas muito pouco. O sabão de côco veio em uma caixinha de papelão que será dedicadamente encaminhada à reciclagem. Já o álcool veio em um frasco de plástico, que também é reciclável. Porém, se considerarmos que contém 1 litro e só precisei de 25 ml, o impacto é bem menor, já que poderei contar com ele para muitas preparações de detergente e para uma infinidade de usos. E o bicarbonato de sódio foi comprado à granel.

Tchau, sacola plástica; olá, sacola de pano!

Cerca de 1,5 milhão de sacolinhas plásticas são distribuídas, por hora, no Brasil, segundo o Ministério do Meio Ambiente. No mundo, esse número chega a 1 trilhão por ano. Para sua produção, são empregados petróleo ou gás natural, água e energia elétrica. Estima-se que uma sacola plástica convencional leva até 400 anos para se degradar. Já a versão biodegradável, precisa de leva oito meses. Mas, enquanto isso, elas ficam circulando por aí.

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Ainda não se convenceu a trocar a versão descartável por opções retornáveis? Então saiba que o principal componente responsável pela poluição nos oceanos é o plástico. Mesmo as sacolinhas que seguem para aterros sanitários causam impactos ambientais seríssimos. Como retém água, o plástico impermeabiliza o solo e atrapalha a biodegração de resíduos orgânicos. Durante o processo de decomposição, ocorre a liberação de gás metano, que é vinte e uma vezes mais nocivo que o gás carbônico. Nos aterros sanitários, o lixo é compactado constantemente para que – claro! – caiba mais. Então as camadas impermeáveis de plástico que se formam, aumentam a quantidade de bolsões que acumulam o gás metano. E quando revolvidos, liberam esse gás para a atmosfera.

Dentro das sacolinhas não é diferente! O lixo orgânico doméstico sufocado pelo plástico apodrece em vez de se biodegradar. Quando o envólucro se rompe, o metano também se espalha no ar.

Que tal, além de recusar sacolinhas plásticas, pensar em fazer compostagem dos resíduos orgânicos. Já falei sobre esse assunto antes, viu? Caso ainda não tenha lido o post sobre compostagem doméstica, por favor, clique aqui.

Só comecei a fazer compostagem em casa em 2016, mas ainda em 2009, quando nem se falava em zero waste (desperdício zero, em português), eu descartei as sacolinhas de plástico da minha vida. Lembro que sempre sobrava mais sacolinhas do que eu precisava. Além disso, nessa época, por causa do meu trabalho, tinha que visitar o aterro sanitário de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza (CE), pelo menos uma vez por mês e havia muita, mais muita, sacolinha plástica por lá. Boa parte estava enterrada, mas também tinham aquelas que voavam ao sabor dos ventos… E lá venta bastante!!!

Ainda guardo e uso a primeira sacola de pano que ganhei oito anos atrás, mas as versões de plástico, infelizmente, continuam poluindo o meio ambiente.

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E aí, que tal reduzir a quantidade de sacolinhas plásticas no dia a dia e trocá-las por opções reutilizáveis?

 

Plástico não é tudo igual

Há três alternativas para se produzir menos lixo: recusar artigos descartáveis, reduzir o consumo de supérfluos e reutilizar tudo aquilo que obviamente ainda pode ser reutilizado. Só que quando essas três opções se esgotam, é melhor reciclar do que encaminhar o lixo para os aterros sanitários – quando ele realmente chega até eles, né? -, inclusive o plástico que está por toda a parte e faz parte do nosso dia a dia. Basta dar uma volta em qualquer supermercado para se dar conta que a grande maioria dos produtos vêm acondicionados em embalagens feitas de plástico de todos os formatos e tamanhos.

E o plástico, por sua vez, se enquadra em sete categorias e cada qual possui suas particularidades em relação ao processo de reciclagem, à durabilidade, à resistência e ao grau de toxidade. Mas como diferenciá-las? Felizmente existem símbolos que aparecem na maioria das embalagens. Eu disse “na maioria”, porque, infelizmente, nem sempre essa informação está disponível. E mesmo quando aparece, às vezes, está tão miudinha e escondida que nem parece que realmente está lá.

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Vamos ver o que cada um desses números e siglas significam:

1 – PETE ou PET: Politereflato de Etileno

Um dos tipos de plástico mais comuns por aí. É usado na fabricação de garrafas de refrigerantes, água e óleos vegetais, potes de manteiga e maionese e frascos de molho de salada, entre outras opções. Com alto índice de reciclagem no Brasil, o politereflato de etileno dá origem principalmente a outras embalagens, fibras têxteis, tapetes, carpetes e sacolas.

2 – PEAD: Polietileno de Alta Densidade

O PEAD serve para produzir, entre outros recipientes, frascos de detergente, xampu e condicionador. Como possui sua baixa densidade, pode flutuar na água e, assim como o PET, é reciclável.

3 – PVC: Cloreto de Polivinila

Utilizado para fazer tubos, canos, janelas, filme plástico e garrafas de óleo de cozinha, o PVC contém plastificantes mais conhecidos como ftalatos. E é isso mesmo! Não esqueci de colocar nenhuma vogal nessa palavra. Essa substância pode ser absorvida pelos alimentos e prejudicar o funcionamento do nosso querido sistema endócrino. A reciclagem de produtos feitos a partir de PVC é limitada, ou seja, nem tudo pode ser aproveitado.

4 – PEDB: Polietileno de Baixa Densidade

É empregado basicamente em potes de iogurte, garrafas de leite, sacolas de supermercado, brinquedos, isolamento de fios elétricos, mangueiras, ampolas de soro, fraldas descartáveis etc. Programas de reciclagem costumam não aceitar o polietileno de baixa densidade. Porém, em alguns casos, pode ser usado na produção de sacos para lixo e tubulação para irrigação.

5 – PP: Polipropileno

O PP é usado na fabricação de copos plásticos, canudos, tampas de garrafas PET ou de vidro, rótulos e fibras para tecidos (cordas, carpetes e até roupas íntimas), recipientes para alimentos, produtos químicos e medicamentos, entre outros itens. Após sua reciclagem, gera caixas e cabos para baterias de carro, caixas e bandejas.

6 – PS: Poliestireno

Pouco tempo atrás eu achava que o plástico número 6 era apenas o isopor, que dispensa apresentações, mas, só para lembrar, está em bandejas de frios e carnes, frutas, legumes e ovos, pratos e copinhos descartáveis de café etc etc. No entanto essa é apenas uma das formas do poliestireno porque isopor é o nome comercial do poliestireno expandido. O plástico número 6 ainda compreende o PS cristal – mais rígido que o isopor e transparente – que pode ser usado na fabricação de copos descartáveis e até embalagens para CDs e DVDs; o PS resistente ao calor, usado na confecção de peças de máquinas ou automóveis, gabinetes de rádios e TV, grades de ar condicionado, peças internas e externas de eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos, circuladores de ar, ventiladores e exaustores; e, por fim, o PS de alto impacto, que contém de 5% a 10% de borracha em sua composição, e é muito usado na fabricação de gavetas de geladeira e brinquedo.

A reciclagem e a separação desse tipo de plástico é bastante complexa. E nem todo isopor é reciclado. Há alguns meses, um funcionário que trabalha em um ponto de coleta de material reciclável de uma grande rede de supermercados, ao receber uma bandeja de isopor, revelou: “Quando esse material chega lá na cooperativa, a gente descarta tudo como lixo comum; não tem reciclagem disso por lá, viu?”. Preocupante, né? Eu já evitava trazer isopor para casa e depois desse alerta nem passo mais perto dele!

7 – Outros

Esta categoria compreende todos os plásticos que não se enquadram nas categorias de 1 a 6. Óbvio, né? O símbolo “Outros” é encontrado em produtos plásticos fabricados com policarbonato, ABS, poliamida, acrílicos ou uma combinação de diversas resinas e materiais. Também encontramos o número 7 naquelas embalagens laminadas de biscoitos, salgadinhos e batatas fritas. Por causa do alto custo e da complexidade do processo ainda é inviável reciclar o BOPP (polipropileno bi-orientado) no Brasil. Isso já se torna um bom motivo para que eu prefira não trazer para casa esse tipo de embalagem. Além disso, biscoitos, salgadinhos e batatas fritas de saquinho não são as opções mais saudáveis que existem, né?

Bom, espero que agora, assim como eu consigo, você, caro leitor ou cara leitora, também possa decifrar essas símbolos que antes pareciam ser tão misteriosos quanto um hieróglifo egípcio. Mas tenha em mente que para diminuir a quantidade de lixo produzida e reduzir o desperdício, seja de plástico ou de qualquer outro tipo de material, recuse artigos descartáveis, reduza o consumo de supérfluos e reutilize tudo aquilo que obviamente tenha condições de ser reutilizado.

 

Porque e como uso guardanapos de pano

Uma das alternativas para produzir menos lixo consiste em recusar tudo aquilo que for descartável, inclusive guardanapos de papel. A produção de cada um deles envolve celulose, água, energia elétrica e uma série de outras matérias-primas. E você já reparou que alguns guardanapos de papel vêm em embalagens individuais de plástico?

O plástico é reciclável, mas nem todos os tipos de plástico são recicláveis ou há tecnologia disponível para reciclá-los. O papel, assim como o plástico, também pode ser encaminhado à reciclagem. No entanto, se o guardanapo entrar em contato com restos de alimento ou de gordura, perde sua capacidade de reciclagem e contamina outros papéis. Lembre-se que a reciclagem é um processo industrial complexo que requer energia, água e até mesmo produtos químicos.

Portanto, antes de pensar em reciclar, é melhor reutilizar. Claro que é impossível usar mais de uma vez o guardanapo de papel! Mas é possível substitui-lo pelo bom e velho guardanapo de pano. Obviamente que para fabricá-los também há gasto de água, energia elétrica e matérias-primas. Porém, eles são reutilizáveis. E a água não é empregada também na lavagem. Mesmo assim, na minha modesta opinião, os guardanapos de pano valem mais a pena que a versão de papel descartável.

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Esse modelo aí da foto é meu. Para lavá-lo, só preciso deixá-lo de molho na água – quente, de preferência – com um pouco de sabão em pó.

Além de usá-lo em casa em todas as refeições – não apenas em ocasiões especiais -, dá para levá-lo na bolsa ou na mochila e sacá-lo para limpar a boca em restaurantes, lanchonetes, padarias ou quaisquer outros estabelecimentos comerciais onde se come e bebe. E em banheiros são super úteis para enxugar a mão. Assim você também evita os papéis toalha.