A escova dental de bambu fabricada no Brasil

Parei de comprar escovas de dente com cabo de plástico em 2016, quando encontrei modelos feitos com bambu. Desde então várias opções apareceram no mercado – brasileiras e estrangeiras -, mas hoje recebi duas Eco Boo, da OralClear. Embora sejam fabricadas em Goiânia (GO), a matéria-prima ainda é importada. O departamento comercial da marca, porém, assegurou que está negociando para que até o final deste ano o material empregado na produção “seja 100% nacional”.

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Como o plástico, além de ser um derivado do petróleo e precisar de muita energia para ser processado, leva cerca de 400 anos para se decompor e, enquanto isso, libera toxinas prejudiciais ao meio ambiente. Não é à toa que a embalagem da EcoBoo traz uma reflexão: “A primeira escova de dente que seus pais usaram, ainda não se decompôs”. Aliás, essa caixinha da foto será encaminhada imediatamente à reciclagem. O bambu, por outro lado, é a planta de crescimento mais rápida do planeta, podendo crescer mais de um metro por dias nas condições ideais. Além disso, outros colmos – como são chamados os caules do bambu – podem crescer da mesma raiz. Dessa forma, a planta dispensa pesticidas e agrotóxicos.

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As cerdas de todas as escovas dentais – de plástico ou de bambu – ainda são feitas de plástico, inclusive as da Eco Boo, mais precisamente PBT (polibutileno tereflatato). O cabo da escova de bambu é compostável, portanto dá para enterrá-las em um jardim ou colocá-las em uma composteira ou minhocário. As cerdas, no entanto, devem ser retiradas do cabo – eu uso um alicate – e encaminhadas à reciclagem.

Recebi duas escovas de dente Eco Boo da OralClear, então uma delas será sorteada em breve no Instagram do blog Menos Lixo, Por Favor!.

Acompanhe as novidades e o regulamento em @menoslixo_porfavor

Como e onde descartar corretamente os medicamentos vencidos

Talvez estejam abandonados em algum canto da sua casa meia cartela de comprimidos, um resto de pomada ou um finalzinho de xarope. Como já ultrapassaram a barreira da data de validade, você não sabe o que fazer para se livrar deles, né? Nem pense em jogá-los no vaso sanitário e dar a descarga ou no lixo comum. Muitas farmácias, inclusive as de manipulação, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e supermercados recebem medicamentos vencidos, além de materiais cortantes e pontiagudos, e os encaminham ao seu destino final sem o risco de contaminar o meio ambiente.

Clicando aqui você terá acesso a uma ferramenta que busca os locais de coleta e descarte mais próximos da sua residência

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O material recolhido nesses postos de coleta segue para a incineração em usinas que trabalham de acordo com as normas ambientais. Eu mesmo visitei várias vezes a usina de incineração de Fortaleza, no Ceará, e me lembro muito bem de como tudo acontece. Os resíduos de hospitais, clínicas médicas e veterinárias e farmácias são incinerados em um forno. Os gases resultantes da queima, depois de tratados e filtrados, são liberados para a atmosfera. As cinzas seguem para aterros sanitários.

Quando os medicamentos não passam por esse processo e são lançados no sistema de esgoto, suas substâncias contaminam a água e o solo, podendo afetar o organismo e o metabolismo de peixes e outros animais, além de nós, seres humanos, que bebemos essa água e consumimos e nos alimentamos desses animais. Se os resíduos são descartados de qualquer jeito e se perdem por aí, à medida que se decompõem, contaminam o solo.

As pessoas que trabalham diretamente com resíduos, como garis e catadores, também correm perigo. Em um prédio onde morei, um funcionário, no momento em que dava o nó em um saco de lixo para fechá-lo, teve seu braço direito picado por uma agulha. Dentro do saco foram encontradas várias agulhas com o sangue de algum morador que estava fazendo algum tipo de tratamento e não descartou como devia esse perigosíssimo material. Esse morador nunca apareceu sequer para lhe pedir desculpas.

A síndica, por sua vez, não queria liberar o funcionário durante o horário de trabalho para fazer exames e receber o tratamento preventivo em um hospital nem reembolsar os custos do transporte. Para chegar ao hospital, ele precisava tomar dois ônibus – o trajeto levava pelo menos uma hora e meia – e o turno dele era das 6h às 14h. Quando perguntei à síndica se o condomínio  fornecia EPIs ao funcionário, ela achou que eu estava falando grego e tive que explicar que essa sigla significa Equipamentos de Proteção Individual. Depois de gaguejar e tentar desconversar, ela confessou que ele não usava botas nem luvas, muito menos um uniforme apropriado. O curioso é que no dia seguinte esses itens apareceram como em um passe de mágica, ele pôde ir ao hospital durante o horário de trabalho e as despesas com o transporte passaram a ser pagas.  O funcionário, felizmente, não contraiu nenhuma doença infecciosa e se recusou a procurar um advogado.

Quase me esqueci que os medicamentos vêm acondicionados em caixas de papelão com bulas impressas em papel, frascos de vidro ou de plástico e tubos de metal ou de plástico. Esses materiais obviamente podem ser encaminhados à reciclagem. As cartelas de comprimidos, feitas de alumínio e de uma camada de PVC, passam por um processo de reciclagem mais complexo, no qual há a separação dos dois componentes, e, infelizmente, há poucas empresas no Brasil especializadas nesse trabalho.

Muita gente descarta medicamentos vencidos no lixo ou no esgoto por falta de informação. Então conte para amigos e familiares que existem pontos de coleta e compartilhe essa postagem com seus contatos nas redes sociais!

Como produzir menos lixo naqueles dias

Por motivos mais do que óbvios, que envolvem desde genética até anatomia humana, não preciso me preocupar com menstruação, mas sei que as mulheres passam por uma série de incômodos bem desagradáveis todos os meses. Além disso, estima-se que da adolescência à menopausa cada mulher precisa de 10 mil a 15 mil absorventes descartáveis externos ou internos. Produzidos basicamente com papel, algodão tratado quimicamente e plástico (tanto em sua composição como nas embalagens), o externo leva mais de um século para se decompor, enquanto o interno precisa de pelo menos um ano. Como não há tecnologia para reciclá-los, ambos vão parar, quando não se perdem no meio do caminho, em lixões ou aterros sanitários.

No entanto, percebi que algumas mulheres estão optando por trocar o absorvente descartável pelo coletor menstrual, um copinho de silicone hipoalérgico, antibacteriano, ajustável ao corpo e que coleta o sangue da menstruação e pode ser reutilizado inúmeras vezes.

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Esse é o coletor menstrual da Mirian e você já vai conhecê-la

Já que não tenho condições de compartilhar um relato pessoal sobre essa alternativa para se produzir menos lixo, conversei com a Mirian de Melo Mendes, que tem 21 anos, mora em Curitiba (PR), estuda administração e trabalha como estagiária em um consultório de cirurgia plástica. Ela me contou que usa o coletor menstrual há pouco mais de um ano e deu detalhes de como ele funciona, quais são suas vantagens e desvantagens, porque deixou de lado o absorvente descartável, entre outros assuntos. Mas antes de irmos ao que interessa, cara leitora, caso se interesse em trocar o absorvente descartável pelo coletor menstrual, por favor, converse antes com a sua ou o seu ginecologista. No final da entrevista, você vai encontrar alguns sites que vendem o copinho. Sem mais delongas, vamos ao que interessa:

Menos Lixo, Por Favor ! – Como você ficou sabendo da existência do coletor menstrual?

Mirian de Melo Mendes – Eu nunca tinha ouvido falar no assunto até começou a aparecer uma enxurrada de propagandas no Facebook e em sites e portais femininos. Sabe como são essas coisas, né? Parece que do nada um assunto explode na internet. E foi assim com o coletor menstrual. Eu fiquei bem curiosa, pesquisei bastante e só decidi comprá-lo quando soube que uma colega, a Yasmin da Conceição, o vendia. Por ser revendedora da marca Korui, ela me explicou com toda a paciência do mundo como usar o coletor. Eu tinha uma lista enorme de dúvidas!!! Afinal, pra quem usou por oito anos absorventes descartáveis, me parecia um pouco estranho imaginar dentro de mim um copinho de silicone, que não vazasse, machucasse e fosse fácil de tirar. Então, depois que ela esclareceu tudo que eu precisava saber, desembolsei R$ 75 e adquiri no final de 2016 um coletor menstrual para chamar de meu.

MLPF! – Qual era essa lista enorme de dúvidas?

MMM – A principal dúvida era sobre o tamanho do coletor, pois existem três opções: pequeno, médio e grande. E aí apareceu aquele ponto de interrogação na minha cabeça: como saber qual seria o tamanho que se ajustasse certinho à minha anatomia. Daí a Yasmin esclareceu que é necessário medir o colo do útero. Algumas mulheres vão ao ginecologista, enquanto outras medem sozinhas. Eu mesma fiz a medição e escolhi o tamanho médio. Só foi preciso cortar um pouco do cabinho do coletor, pois ele ficava sobrando. Ja vi casos de mulheres que cortaram o cabo todo, mas isso vai de cada uma. Também queria saber como devia introduzir o copinho. Ela me explicou que há várias opções de dobras e só testando dá para saber qual delas vai ajudar o copinho a entrar com mais facilidade.

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Algumas mulheres, ainda segundo a Yasmin, precisam passar lubrificante nas primeiras vezes até se adaptarem a todo o ritual de colocação e retirada do copinho. Também é necessário ficar sentada e permanecer bem relaxada. Sei por experiência própria que, se eu estiver tensa, os músculos vaginais se contraem, e aí é um inferno para colocá-lo. Na verdade, pode até machucar! Por isso, o conselho mais valioso é sempre manter a calma. Depois de matar as dúvida referentes ao tamanho e à colocação, precisava saber como fazer a manutenção do produto, isto é, limpeza e esterilização. Como eu estava acostumada a simplesmente descartar o absorvente, ela me contou como cuidar do copinho e, sinceramente, me pareceu bem simples. Eu achei que teria que usar algum produto especial para esterilizá-lo e lavá-lo depois de esvaziá-lo no banheiro. Mas é muito mais fácil do que parece. Além disso, aproveitei para ver alguns vídeos. Tem youtuber que fala só sobre o coletor! É só procurar. A última dúvida foi sobre quanto tempo precisaria para esvaziar o coletor sem que vazasse. A Yasmin contou que depende do fluxo e só saberia se o usasse. Então eu tive que usar o meu para descobrir.

MLPF! – E a transição do absorvente descartável para o coletor menstrual, como foi?

MMM – Foi uma comédia. Para as mulheres acostumadas com OB talvez deva ser mais tranquilo, mas eu só tinha usado o absorvente externo. Então ter que manusear o coletor direitinho, fazer uma dobra para fazê-lo entrar com mais facilidade e senti-lo no canal vaginal… foi tudo uma novidade. Devo ter ficado uns 20 minutos no banheiro, respirando fundo, tentando relaxar para que tudo desse certo.

MLPF! – Você já sentiu algum tipo de incômodo?

MMM – Eu nunca tive qualquer tipo de desconforto algum com o copinho. Depois que o produto se ajusta no canal vaginal, em menos de um minuto, esqueço que estou usando, pois não sinto mais nada. Mas já houve vazamentos e tive raiva porque estava na correria do trabalho, sem tempo para nada. Também já aconteceu de eu estar fora de casa, passeando, e eu não conseguir fazer com que o copinho entrasse direito ou pegasse o vácuo necessário para que encaixasse corretamente. Coletor menstrual e pressa não combinam, só para avisar!!!

MLPF! – Na sua opinião, o copinho é higiênico? Como você faz para higienizá-lo?

MMM – Sim e não tem muito segredo para cuidar dele. Basta esterilizar no primeiro uso e no final de cada ciclo. Fervo o meu por três ou quatro minutos e pronto! Uso uma panela esmaltada no fogão ou um recipiente de vidro no microondas. Durante o período menstrual eu lavo com água e seco com papel higiênico ou lenço umedecido neutro. Para mim, os absorventes externos fazem muita sujeira e ficam em contato com a pele, têm cheiro, o que não acho muito legal. Sei que algumas mulheres precisam de marcas especificas, pois têm alergia a determinados componentes. Eu, inclusive, já tive esse de problema. Com o coletor, não tem sujeira, me sinto sequinha e limpinha porque ele fica dentro de mim. Só preciso ir ao banheiro, esvaziá-lo, lavá-lo e secá-lo e colocá-lo, com calma, novamente.

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E essa é a Mirian!

MLPF! – Além de higiênico, há outras vantagens?

MMM – Além de poluir menos o meio ambiente, outra vantagem maravilhosa é a economia! Li no site da marca Inciclo que dá para economizar R$ 210,64 por ano. Eu sei que não é um valor exuberante. Mas só de não ter que me preocupar em ir a uma farmácia todo mês, procurar um modelo especifico e gastar tanto com um protetor quanto com o absorvente externo, saio no lucro.<

MLPF! – E desvantagens?

MMM – Claro que existem. Não vou omitir. Como já disse, quando estou com pressa, sem tempo, fora de casa ou bebi um pouco mais do que devia, aí, meu amigo, aparecem os problemas. Diferentemente do absorvente descartável, que como o nome já diz, é só jogar fora no lixo, o coletor requer um certo ritual. Quando estou passeando, tenho que levar uma garrafa de água na bolsa para  lavar as mãos e o copinho depois de esvaziá-lo. Aí eu o seco com papel higiênico e, com toda a calma do mundo, faço a melhor dobradura possível para que pegue vácuo e encaixe direitinho, sem nenhum “amassado”. Se o copinho não estiver perfeitamente encaixado – o que não é difícil – ele vai vazar. Às esse ritual dura cinco minutos. Mas já precisei de 15 longos minutos. Depende de quão desastrada estou no momento (risos)!

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O segredo é manter a calma “Coletor menstrual e pressa não combinam, só para avisar!!!” Esse é o coletor da Mirian sendo dobrado

MLPF! – Onde você vê o copinho à venda?

MMM – Nunca o encontrei em farmácias, mercados ou qualquer tipo loja física. Imagino que não seja possível encontra o coletor em lojas, justamente porque os absorventes descartáveis são uma fonte valiosíssima de lucro. Adquiri o meu, como já disse, com uma colega, mas existem outras marcas à venda na internet e algumas até fazem promoções do tipo “compre um e leve dois”.

MLPF! – Você já precisou trocar o seu?

MMM – Ainda não. Utilizo o mesmo coletor há pouco mais de um ano e ainda não tive problemas. Só sinto que o copinho esta mais mole, ou seja, ficou mais fácil de dobrar, e às vezes preciso verificar se ficou bem certinho, se pegou vácuo, se abriu por completo.  Nos primeiros meses eu tinha certa dificuldade para dobrá-lo e ele se abria de forma brusca no canal vaginal. Mas não vejo problema por estar assim, mas confesso que era mais prático no começo quando estava mais durinho.

MLPF! – Você conhece outras mulheres que usam o coletor menstrual?

MMM – Antes de responder, quero dizer que estou super empolgada com o fato de usar meu coletor menstrual! E lá vai um desabafo: passar oito anos usando aquele produto descartável com a superfície que parece um plástico, que em dias de calor é uma tortura, que mesmo dizendo que tem substâncias para controlar o odor, tem odor, sim senhor!, que às vezes causa alergia na pele, ficar livre – finalmente! – desses incômodos e me sentir tão bem com um produto que já existia em outros países há sei lá quantos anos, me enche de vontade de falar para todo mundo sobre o copinho!!! Porém ainda só conheço uma pessoa que o utiliza: minha colega revendedora. Uma amiga da minha irmã tentou usá-lo, mas não se adaptou. Minhas amigas até que são curiosas, fazem muitas perguntas, mas não tem coragem de migrar para o coletor. Percebi em algumas que há uma certa insegurança. Elas acham estranha a ideia de sair por aí com um copinho que coleta a menstruação dentro do canal vaginal e ter que fazer todo aquele ritual de colocá-lo, esvaziá-lo e colocá-lo novamente.

MLPF! – E quais são seus argumentos para tentar convencê-las?

MMM – Além de mencionar todas as vantagens que pude comprovar por experiência própria, tento mostrar que elas estariam contribuindo para não poluir tanto o meio ambiente. com os absorventes descartaveis, não as deixou muito animadas. Falo sobre lixões e aterros sanitários abarrotados de absorventes que demoram 100 anos para se decompor ou que são nocivos para o solo, mas mesmo assim elas não se empolgam. Mesmo quando eu conto que os absorventes descartados no vaso sanitário, além de entupi-lo, podem parar nos oceanos, isso não amolece o coração delas. Na verdade, no meu ciclo social, a única pessoa que se empolga com esses argumentos é minha irmã, a Nataly Melo Ostrowski: uma amante da natureza, do universo e da vida.

MLPF – Para terminar a conversa, você recomenda o coletor menstrual às leitoras do blog Menos Lixo, Por Favor!?

MMM – Super recomendo para todo mundo! Eu amo usar o coletor, amo a economia que faço todo mês e amo saber que estou produzindo um pouquinho menos de lixo. Sempre dá para melhorar mais, eu sei, mas estamos falando sobre o coletor menstrual, né (risos)? Também me anima muito saber que a Korui em parceria com o Projeto Raizes doou coletores menstruais para mulheres do sertão mineiro. É um gesto bem simples, mas, para mim, significa muito! Enfim, só vejo vantagens em utilizar o coletor. Mas acho que muitas mulheres ainda estão presas aos absorventes descartáveis por falta de informação, dinheiro – infelizmente! -, insegurança, preguiça e por aí vai.

Pois bem, cara leitora, caso você chegou até aqui, talvez já tenha considerado a hipótese de deixar de lado o absorvente descartável e partir para o coletor menstrual. Conforme prometido, deixo algumas opções de marcas disponíveis no mercado. Mas lembre-se, como se trata de saúde e esse é um assunto super sério, converse antes com a sua ou o seu ginecologista.

Korui
Inciclo
HolyCup!
Me Luna
Mooncup
Liberdade com Copinho – essa é a página da Yasmin Conceição, a colega da Mirian que vendeu o coletor menstrual para ela. Além de vender o copinho da Korui, tem muita dicas e informações sobre o assunto.

8 dicas para produzir menos lixo

A cada dia que passa, descubro e aprendo novas formas de diminuir o lixo que produzo. Por enquanto, compartilho oito dicas que, se adotadas, mesmo que aos poucos, já vão fazer uma grande diferença para evitar o desperdício e, assim, transformar a casa, a rua, o bairro, a cidade, o estado, o país, o continente e, claro, o planeta onde vivemos em um lugar melhor. Isso soa meio clichê… na verdade, muito clichê, mas não é legal saber que um pedaço de sacola plástica pode ir parar no estômago de um animal marinho ou que uma garrafa PET é capaz de entupir um bueiro. Não precisamos depender de ninguém para começarmos a mudar nossa realidade para melhor.

1 – Simplifique sua vida

Você precisa mesmo comprar mais um par de sapatos se já tem quinze? Mesmo sem nem conseguir guardá-los direito no armário? Um fica por cima do outro e não dá para alcançar alguns que estão lá no fundo. E tem um sapato (ou mais de um, quem sabe) que só deu para usar uma ou duas vezes porque seu pé ficou machucado. Claro que essa situação não vale apenas para sapatos! Dê uma volta pela sua casa ou apartamento e reflita sobre seus pertences e suas necessidades. Evite acumular coisas que não precisa, como contas de telefone do tempo em que nem existiam smartphones, que, agora, só entopem as gavetas, eletrodomésticos quebrados que ocupam espaço no armário da cozinha, medicamentos e cosméticos vencidos e esquecidos no banheiro etc. Dê um jeito de doar aquilo que já não é útil para você, mas pode ter serventia para outras pessoas, vender aquilo que está em bom estado e pode servir perfeitamente para outras pessoas, consertar coisas que ainda são úteis para você, ajustar roupas que ficaram largas, mas ainda estão ótimas (que tal levar aquela calça quase nova para um alfaiate ou uma costureira?) ou reciclar aquilo que realmente já não serve mais para nada, só para ocupar espaço e atrapalhar sua vida. Excesso causa desorganização no ambiente em que vivemos ou trabalhamos. A desorganização, por sua vez, leva à perda de tempo e, portanto, desperdício de energia que poderíamos empregar em atividades que realmente importam.

2 – Recuse artigos descartáveis

Sei que às vezes é bem complicado não aceitar canudinhos, copos plásticos ou guardanapos de papel. Não tem jeito, a gente nem precisa pedir e eles chegam até nós. Mas, quando possível, diga não, sem se esquecer de ser gentil – é claro!

No vídeo abaixo, Rob Greenfield passou um mês em Nova York “vestindo” o lixo que produzia. Ele aceitou tudo que lhe ofereciam, como canudos, copos, garrafas, sacolas plásticas e panfletos, e não jogou nada fora. Pelo contrário, carregou tudo em uma roupa projetada para mostrar como o lixo ocupa espaço, porque, descartamos aquilo que já não tem mais serventia e esquecemos que aquele inocente copinho de café descartável não se desintegra quando vai para a lata de lixo. Nesse experimento, ele viveu como um americano médio que, diariamente, produz cerca de dois quilos de lixo por dia. Em um mês, portanto, são 60 quilos! Para tudo que é descartável, há sempre uma alternativa que não é descartável. Que tal usarmos nossas próprias garrafas, copos ou canecas? E o guardanapo de papel? Bom, há sempre o bom e velho guardanapo de pano, né? Lavou tá novo! Claro que isso não resolve o problema, mas já diminui bastante a quantidade de lixo por aí.

3- Carregue sua própria sacola

Ter sempre à mão uma ecobag – prefiro chamá-la de sacola de pano – na bolsa, na mochila ou no porta-mala do carro, elimina a necessidade de levar para casa sacolinhas plásticas. Embora algumas dessas sacolinhas, principalmente aquelas distribuídas em supermercados – sejam oxidegradáveis, ou seja, prometem ser de rápida decomposição, elas não são tão bacanas assim quanto parecem. Além de suas partículas não se decomporem totalmente, porque não são 100% biodegradáveis, podem contaminar peixes e outros animais até entrarem na cadeia alimentar humana. Só os seres humanos sabem o que é uma sacola; os outros animais não têm condições de diferenciar uma sacola de um pedaço de alimento, seja ele qual for! Não é à toa que a tartaruga da imagem abaixo foi fotografada com um pedaço de saco plástico na boca, né?

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4 – Prefira alimentos naturais

Será que vale a pena comprar um pacote de macarrão instantâneo sabor legumes que fica pronto em apenas três minutos? Preparar um macarrão de verdade, que leva em sua composição apenas farinha, água e ovos e um molho – de verdade também! – com legumes frescos é tão prático e rápido quanto essa opção que fica pronta em três minutos. A massa da opção instantânea é feita basicamente de gordura, por isso que fica pronta tão rápido, e ainda contém uma série de ingredientes misteriosos, como “estabilizantes tripolifosfato tetrassódico”. O molho, que na verdade é um pozinho colorido, vem entupido de sódio.

A jornalista Francine Lima prova, no vídeo abaixo do canal Do campo à mesa, que, sim, é possível fazer comida de verdade, com ingredientes de verdade, de forma prática e rápida sem gastar rios de dinheiro. Não se engane! O macarrão instantâneo não é tão barato quanto parece, viu? Quase me esqueço de dizer que as embalagens plásticas tanto do macarrão, quanto do pozinho que vira molho, embora sejam feitas de plástico, não são recicláveis. É isso mesmo! Nem todo plástico é reciclável. E alguns tipos de plástico, quando chegam às cooperativas são descartados como lixo comum, porque, em alguns locais no Brasil, ainda não há tecnologia para reciclá-los. Portanto, os ingredientes fazem mal à saúde e as embalagens podem causar problemas ambientais.

Você já viu um comercial sobre tomate ou cenoura na TV? Algo como “Coma cenoura que faz bem à saúde!”. Claro que não, né? É óbvio que comer cenoura faz bem à saúde. Só que há uma infinidade de comerciais de comida processada cheia de ingredientes artificiais que tentam justificar – ou criam justificativas – como fazem bem para a saúde ou são indispensáveis no dia a dia. Ou seja, comida de verdade não precisa de propaganda. Porém, a comida que não é tão de verdade assim precisa de muita publicidade. É a velha tática do “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Sabe quem inventou isso? Não? Copie e cole essa frase no Google caso tenha curiosidade em descobrir.

5 – Faça compostagem

Ao consumir mais comida de verdade, deixando de lado as opções industrializadas, a quantidade de papel, plástico, metal e vidro tende a diminuir consideravelmente. Por outro lado, vão sobrar mais restos de frutas, vegetais, hortaliças e legumes. Caso jogue tudo no lixo comum, esse material vai direto para o aterro sanitário mais próximo da sua casa e você vai perder – acredite! – um poderoso fertilizante. Para obtê-lo, basta contar com a ajuda de minhocas. Sim! Minhocas que vivem em uma composteira doméstica, também conhecida como minhocário. Esses pequenos animais transformam os restos de alimentos em chorume, um poderoso fertilizante para plantas, flores, jardins e até hortas.

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Caso não tenha espaço em casa para fazer compostagem ou não quiser conviver com as minhocas, há pelo menos outras duas alternativas. Uma delas é levar os resíduos orgânicos para o pátio de compostagem da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo, ou, em Porto Alegre, chamar a Re-ciclo, uma empresa que busca, de bicicleta, esse material na casa dos clientes  e o transforma em adubo. Por enquanto só conheço essas opções. Caso saiba de outras, por favor, deixe-as nos comentários.

6 – Consuma menos, compre com mais qualidade

Diminuir o consumo não significa deixar de gastar dinheiro com aquilo que precisamos. Temos que comer, nos vestir, estudar, trabalhar, nos divertir etc. Mas devemos refletir sobre nossas ações e evitar o desperdício. Pode parecer repetitivo, já que na primeira dica mencionei sapatos, mas atualmente, há sapatos e outras peças do vestuário cada vez mais baratas que não chegam a durar uma estação. São tão descartáveis quanto talheres de plástico de um restaurante fast-food. Essas roupas que, além de perderem a graça, desbotam ou ficam deformadas depois de poucas lavagens, fazem parte da tendência fast fashion. Sem graça, desbotadas e deformadas, elas já não servem mais e deixam o armário entupido, vão para a doação ou até mesmo são descartadas como lixo comum e acabam enchendo ainda mais os aterros sanitários. Cada vez mais peças são confeccionadas com tecidos sintéticos, como o poliéster, que, por ser um material plástico – derivado do petróleo -, provoca uma série de impactos ambientais. E durante a lavagem, esses tipos de tecidos soltam microfibras de plástico, que chegam aos mares e oceanos e contaminam animais da base da cadeia alimentar marinha, como o plâncton. Já falei aqui neste blog sobre as microesferas de plástico, que não são muito diferentes das microfibras de plástico, e estão presentes em cosméticos, pastas de dente e sabonetes.

Além disso, as roupas, em aterros sanitários, liberam uma verdadeira mistura tóxica de poluentes, como carbono e metano. Vale mais a pena, tanto para o bolso quanto para a consciência ambiental, ter menos peças e de qualidade e durabilidade superiores. Além de durarem mais, você não vai precisar repô-las o tempo todo. E sempre que possível ajuste ou conserte suas roupas. Tem  um monte de costureiras e alfaiates por aí prontos para ajudar. Também vale a pena comprar peças de segunda mão, viu? Lembrando que isso não vale apenas para roupas. Aplique esse raciocínio para eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, móveis… bom, vou parar por aqui. Acho que já deu para entender, né?

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7 – Recicle com consciência

Separar vidro, papel, plástico, metal e resíduos orgânicos representa apenas uma das muitas partes que envolvem o complexo e oneroso processo de reciclagem. Embora hoje em dia quase tudo seja reciclável, mesmo aquilo que pode ir à reciclagem pode não ser reciclado. Isso vale, entre outros materiais, para as elegantes e práticas cápsulas de café expresso. Feitas de plástico e alumínio, elas preenchem, na teoria, todos os requisitos para serem recicladas. Mas, na prática, como o processo é extremamente caro e trabalhoso, a reciclagem acaba não acontecendo. Uma matéria publicada no jornal O Globo – clique aqui para lê-la – mostra porque vale a pena pensar duas vezes antes de tomar aquele cafezinho de cápsula. Se for possível, opte pelas opções coadas ou prensadas. Lembrando que ao utilizar a prensa francesa ou a cafeteira italiana, além da bebida só vai restar a borra do café que pode ir direto para a compostagem, ou seja, alimenta as minhocas do minhocário. E o filtro do café coado também tem acesso livre no minhocário. Eu preferi, depois que minha cafeteira elétrica parou de funcionar, deixar de lado os coadores e usar uma Prensa Francesa.

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Aquelas etiquetinhas grudadas nas cascas de frutas, legumes e verduras, que servem para informar a procedência e o produtor, não são recicláveis em hipótese nenhuma. Nem adianta considerá-las um tipo de plástico, porque, quando chegam às cooperativas, são descartadas como se fosse lixo comum e vão parar em aterros sanitários.

Quando entendemos que determinadas coisas são recicláveis e outras não, passamos a repensar o consumo. Assim, deixamos de jogar o toda a responsabilidade nas costas da reciclagem. Ao consumirmos com mais responsabilidade, descartamos melhor. Depois que passei a fazer compras a granel – utilizando meus próprios potes -,  e deixei de comprar tanta comida industrializada embalada em papelão, plástico, alumínio, e por aí vai, a quantidade de lixo reciclável diminuiu. Por outro lado, ao substituir a comida industrializada por legumes, verduras e frutas frescas e, de preferência, orgânicos, claro que a quantidade de cascas, caroços, só para citar alguns exemplos, aumentou . Sorte das minhocas que vivem na minha composteira e das plantas que se nutrem com o chorume produzido por elas. E, por favor, abra mão de sacolas e embalagens descartáveis quando você for em lojas, supermercados e farmácias. Podemos carregar na mão ou em sacolas de pano muitas coisas. Esse parágrafo está bem repetitivo – desculpe! Já falei sobre tudo isso nesta postagem, mas acho que é sempre bom reforçar alguns hábitos que fazem a diferença.

8 – Espalhe essas ideias

Se você chegou até aqui – sim, este é o último item! – e acha que outras pessoas devem ler essas dicas, por favor, compartilhe-a. Use as redes sociais ou converse pessoalmente com seus amigos e amigas sobre esses assuntos. Tente, aos poucos, mudar sua rotina. Nada acontece do dia para a noite nem da noite para o dia. Pequenas mudanças, já fazem uma grande diferença para vivermos em um mundo com menos lixo (por favor!) e sem tanto desperdício. Lembre-se o aprendizado e as descobertas de novas possibilidades e alternativas é constante.

Caso tenha mais dicas, sugestões e críticas, deixe-as nos comentários ou mande um e-mail para danielnavarro@ig.com.br

O desodorante feito em casa com apenas 4 ingredientes

Farmácias e supermercados oferecem inúmeras opções de desodorantes capazes de eliminar o mau cheiro das axilas. Nas prateleiras encontramos fragrâncias que lembram brisa do mar, flores do campo, pitanga, limão siciliano, entre outras. Tem também aqueles aromas mais subjetivos e curiosos, como paixão, lenha e âmbar. Dá até para viajar para outros continentes com as essências “uma tarde na Toscana” e “Savana Style”, esse último em inglês. Embora eu não me lembre de nenhuma opção em francês, esse é o  idioma queridinho dos perfumes desde os tempos mais remotos. E não posso deixar de lado aquela marca do slogan “elas avançam”. Bastavam duas borrifadas nas axilas para a mulherada ensandecida surgir do nada e agarrar os homens na rua.

A lista ainda contempla as opções sem perfume e os antitranspirantes e, claro, os antitranspirantes sem perfume e com fragrâncias diversas… Ufa!!! Diferentemente dos desodorantes comuns é que, como o nome já diz, esse produto inibe ou diminui a transpiração. Algumas marcas prometem proteção por 24, 48 e até 72 horas! Sim, três dias completos. Encontrei essa opção em um supermercado na França.

Parece ótimo deixar de suar, né? Isso evita, obviamente, o suor e, consequentemente, o mau cheiro nas axilas. Mas não se engane, porque os antitranspirantes possuem em sua composição sais de alumínio e derivados. Pesquisas apontam que a absorção dessas substâncias provocariam câncer de mama e Alzheimer. E os desodorantes convencionais também contêm toxinas que podem ser perigosas. Preste atenção no rótulo e você encontrará diversos produtos químicos, como o triclosan e os parabenos, que estariam ligado a distúrbios endócrinos, são considerados alergênicos para pele, olhos e pulmões, e, se não bastasse tudo isso, assim como os sais de alumínio, são cancerígenos, de acordo com alguns estudos. Já falei sobre os parabenos em um post sobre xampu. Clique aqui para lê-lo.

Além dos riscos à saúde, nem quero pensar em quantas embalagens de plástico ou alumínio já descartei. Algumas provavelmente foram recicladas, mas a maioria deve estar, até hoje, nas profundezas de algum aterro sanitário por aí, pois estima-se que o plástico leva até 400 anos para se decompor. Confesso que já faz algum tempo que deixei de comprar desodorante convencional em farmácias e supermercados. Fui atrás de marcas com ingredientes mais naturais com menos toxinas, mas todas as opções vinham em embalagens plásticas. Antes de tomar essa decisão eu trazia para casa desodorante roll-on sem perfume. Só que eu sempre tinha que ler o rótulo com cuidado, porque o álcool na composição de algumas marcas irritava minhas axilas.

Para deixar de consumir tantas embalagens, eliminar os elementos químicos suspeitos, inclusive o álcool que me incomodava, pesquisei muito até encontrar uma receita simples que leva apenas quatro ingredientes:

  • óleo de coco – uma colher de sopa;
  • bicarbonato de sódio – uma colher de sopa;
  • manteiga de karité – uma colher de sopa;
  • farinha de araruta – duas colheres de sopa.

 

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Há, na verdade, um quinto ingrediente: gotas de óleo essencial com o perfume que preferir. Essa é uma das vantagens de produzir seu próprio desodorante. Dá para prepará-lo do jeito que preferir, até achar a essência que mais lhe agradar. No meu caso preferi deixá-lo no modo “sem perfume”. Outro benefício, para mim e para o meio ambiente, é deixar de descartar embalagens de plástico ou de metal. Como mostra a foto, esse pote com tampa já armazenou sal e temperos diversos e, a partir de agora, acondicionará meu desodorante natural. E mais um detalhe importante: caso tenha dificuldade em encontrar a farinha de araruta, você pode substitui-la por amido de milho. Ressalto que todos os ingredientes foram comprados a granel.

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Mas antes que eu me estenda mais falando sobre os benefícios do desodorante feito em casa, vamos ao preparo, que é super simples. Basta colocar todos os ingredientes em uma tigela de vidro e misturá-los em banho-maria até formar uma pasta espessa. Coloque essa pasta em um pote com tampa e o deixe na geladeira por mais ou menos 20 minutos.

Para aplicá-lo, lambuze a ponta dos dedos com o desodorante e passe nas axilas. Não exagere na quantidade! Antes de colocar a mão na massa e prepara-lo, vale a pena testar cada um dos ingredientes na pele, de preferência no braço. Apesar de ser natural, algumas pessoas podem ser alérgicas ao bicarbonato de sódio, por exemplo.

Voltando aos benefícios do desodorante natural feito em casa com apenas quatro ingredientes, embora eu seja péssimo em matemática, garanto que você vai economizar dinheiro. O ingrediente mais caro da lista é a manteiga de karité. Gastei R$ 10 para comprar 100 gramas, que ainda vão render muito. Um desodorante roll-on acondicionado em embalagem de plástico e repleto de parabenos, triclosan e alumínio também custa, em média, R$ 10.

Não se esqueça: consulte-se com seu dermatologista regularmente!!! Não sou dono da verdade. Sempre pesquise, questione e reflita!!!

Bilhete do metrô depois de utilizado vira papel higiênico

Sabe o que acontece depois que você introduz seu bilhete do metrô na catraca? A Companhia do Metropolitano de São Paulo – mais conhecida como Metrô – informa que todos os tíquetes, depois de recolhidos nos bloqueios, são fragmentados, ensacados e pesados. Em seguida, o material é vendido ou doado, dependendo da demanda, e, finalmente, segue para a reciclagem.

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No Pátio de Manutenção Itaquera, na Zona Leste da capital paulista, são recolhidos por mês, em média, duas toneladas de tíquetes. Já no Pátio de Manutenção Jabaquara, na Zona Sul, a média mensal é de 3 toneladas.

Antes de os bilhetes já fragmentados chegarem às indústrias de reciclagem, eles são misturados a outros tipos de papel porque a tarja magnética, usada para armazenar dados e evitar falsificações, contém elementos metálicos capazes de interferir na qualidade do papel a ser fabricado durante o processo de reciclagem.

Nas indústrias de reciclagem, o conteúdo é triturado em um tipo de liquidificador gigante, misturado com água e outros produtos, entra em uma esteira, passa por secagem e transforma-se em papel novo. A maioria das indústrias produz de papel higiênico, ou seja, o bilhete de metrô que você inseriu na catraca para se deslocar pela cidade São Paulo, um dia, poderá acabar parando no seu banheiro.

Apesar de existirem os cartões de plástico reutilizáveis do Bilhete Único, boa parte dos 4,5 milhões de passageiros que viajam de metrô diariamente pela capital paulista não abre mão dos bilhetes de papel. As 5 toneladas de tíquetes de papel recolhidas mensalmente nos pátios Itaquera e Jabaquara comprovam essa preferência.

Meu Bilhete Único, por exemplo, tem mais de cinco anos. Era para ser ainda mais velho, mas, infelizmente, eu já perdi uns dois ou três desde que essa alternativa surgiu em 2004. Evito usar os bilhetes de papel; porém, não foram poucas as vezes que encontrei máquinas de recarga em manutenção em várias estações do metrô. Manutenção, nesse caso, pode significar máquina desligada, quebrada ou com o sistema fora do ar. Em outras ocasiões, a quantidade de máquinas não comporta a demanda de passageiros e as filas gigantescas me obrigam a comprar tíquetes na bilheteria.

E pior ainda: uma dessas máquinas já engoliu meu dinheiro e não concluiu a recarga. Foram necessários mais de 30 minutos ao telefone para que a empresa responsável por essas máquinas gerasse um crédito de R$ 50. Detalhe: eu queria fazer a recarga com cartão de débito, mas a máquina só estava aceitando dinheiro.

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Leia aqui uma reportagem do jornal Diário de S. Paulo sobre as máquinas de recarga que engolem dinheiro e não concluem a recarga. Até que eu tive sorte em gastar “apenas”meia hora ao telefone. Teve gente passou por situações muito mais desagradáveis.

É evidente que enquanto esses problemas persistirem, a indústria de reciclagem terá muita matéria-prima para produzir papel higiênico.

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Cabelos limpos e cheirosos com xampu sólido natural

Uso xampu em barra há pelo menos seis meses e não o troco por mais nada. Deixei de lado as opções vendidas em frascos de plástico e lavo os cabelos com um produto livre de aditivos químicos, substâncias artificiais, conservantes ou derivados de petróleo. Eu me adaptei às opções da Saboaria Sementes de Gaia, mas há outras marcas disponíveis no mercado, como BoaCativa NaturezaFefa PimentaCheiro VivoYamuna ArtesanalLush, entre outras

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Minha rotina de higiene capilar não mudou. Continuo lavando os cabelos diariamente. Na primeira vez, duvidei da eficiência do produto. Afinal, foram anos a fio convivendo com os xampus líquidos. Mas deu super certo! O modo de usar é super simples e eficiente:

1 – Molhe os cabelos;

2 – Esfregue a barra na raiz dos cabelos até fazer espuma… E prepare-se, porque faz muita espuma;

3 – Massageie e esfregue bem o couro cabeludo só com a espuma;

4 – Enxágue o cabelo.

Não tem segredo, né? O cheiro é um diferencial que adoro, porque não lembra em nada as fragrâncias artificiais que, às vezes, até me provocavam dores de cabeça e alergias. Arrisco dizer que o perfume tem cheiro de natureza – não estou exagerando! E o banho também fica mais prático: todos os xampus da Saboaria Sementes de Gaia também servem como sabonete para o corpo.

Antes de usá-lo, eu corto a barra em quatro pedaços. Cada quadrado dura cerca de 10 dias e é recomendado deixar o pedaço em saboneteiras abertas para que não amoleça. Acabei me rendendo à Saboneteira GAIA, que é feita de ácido poliláctico (PLA), material atóxico, ecológico e biodegradável. O PLA é um poliéster termoplástico feito com amidos de milho, mandioca, beterraba e cana-de-açúcar; e portanto, é biodegradável, compostável, e reciclável. Aliás, minha composteira chegou nesta semana, mas isso é assunto para outro post em breve.

Os outros três pedaços devem ser acondicionados no saquinho plástico e em lugar fresco e seco, como a gaveta ou o armário do banheiro. Não preciso de uma balança para verificar que a quantidade de plástico empregada nessa embalagem é bem menor que aquela dos frascos dos xampus líquidos. Entretanto, no caso do xampu sólido, o plástico utilizado na embalagem é livre de BPA, substância já mencionada em posts sobre canudinhos e papéis térmicos – aquele papelzinho amarelo que serve como recibo em compras com cartões de crédito. Obviamente, esse saquinho plástico vai direto para a reciclagem.

Claro que as embalagens de plástico dos xampus convencionais também são recicláveis. Porém, até mesmo a reciclagem gera impacto ambiental porque é cara e gasta muita energia. E lembre-se que nem tudo é reciclado no país! Ainda não temos usinas suficientes que atendam toda a demanda. O lixo, sendo reciclável ou não, vai acabar em aterros sanitários ou até mesmo em lagos, rios… melhor parar por aqui! Acabei de me lembrar de uma foto que vi em 2014. A seca do rio Tietê revelou um mar de garrafas PET no Rio Tietê, na cidade de Salto, interior de São Paulo. Veja a foto e leia a notícia aqui.

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O rótulo, impresso em papel reciclável, do Shampoo de Brilho traz apenas ingredientes naturais – exceto a cerveja importada que vem marcada como aditivo. Mas você já reparou que muitos fabricantes de xampus líquidos não se dão nem ao trabalho de traduzir os rótulos? Faça o teste: procure a lista de ingredientes e perceba que até água é water ou aqua. O restante é uma combinação de nomes técnicos impronunciáveis até em português, que incluem parabenos, óleos minerais, parafina líquida, sulfato, silicone, derivados de petróleo, lauril, parabenos, BHT, EDTA, estabilizantes, fragrâncias sintéticas, corantes artificiais e conservante químicos.

Eu sei o que é cerveja, linhaça, citronela ou anis. Mas e os parabenos? Embora tenham sido criados em laboratório para conferir proteção contra micróbios e outros microrganismos, garantindo tanto a integridade do produto como a saúde de quem o usa, infelizmente não é bem assim que as coisas funcionam. Estudos – ainda não definitivos – apontam que esses compostos químicos podem causar câncer, alergias cutâneas e envelhecimento precoce da pele. Na dúvida, prefiro continuar usando o xampu em barra com manteiga de muru-muru, óleo essencial de alecrim, entre outros ingredientes acima de qualquer suspeita.

Se você chegou até esse parágrafo, talvez você esteja se perguntado como fazer levar esse xampu em barra em viagens. Se a viagem for longa, basta mantê-lo no saquinho plástico. Mas se for de curta duração, é só transportá-lo em uma latinha. A Lush tem uma opção bem bacana – veja aqui -, mas um dia, de improviso, acabei usando uma lata vazia de manteiga e deu certo. Agora meu xampu sólido sempre viaja na lata que já serviu para armazenar manteiga. E em voos internacionais, dá até para levar o xampu em barra na bagagem de mão.

E por falar em viagens e deslocamentos, a saboaria Sementes de Gaia entrega em todo o Brasil. Recebo os xampus em uma caixa de papelão, que vai direto para a reciclagem. Além da qualidade dos produtos, o pessoal é muito atencioso. Sempre recebo algum xampu ou sabonete de brinde para experimentar. Por causa desse tipo de agrado, descobri o xampu de barba e, como disse no começo deste post, não o troco por mais nada.