Evite o chiclete e produza menos lixo

A cidade de São Paulo tem aproximadamente 12 milhões de habitantes. Se colocarmos um elefante africano na balança o ponteiro marcará quatro toneladas. Uma goma de mascar pesa cerca de dois gramas e seu sabor dura uns dez minutos na boca. Agora imagine que todo mundo resolveu consumir um chicletinho e o descartou depois de ficar com gosto de borracha. No fim das contas, sem considerar as embalagens de plástico e de papel, serão 24 mil quilos – ou 24 toneladas – de resíduos, o equivalente a seis elefantes.

Sim, o exemplo é bem esdrúxulo, mas acho que serve para se ter pelo menos uma ideia do tamanho da encrenca. Passando para um dado mais concreto, a cidade de Puebla, no México, possui a maior fábrica de chiclete do mundo. Por ano, são fabricadas 60 mil toneladas de chiclete, ou seja uma manada de 15 mil elefantes, sendo que 70% é destinado ao consumo doméstico e o restante segue para exportação.

A goma de mascar não é reciclável nem compostável e precisa de pelo menos cinco longos anos para se decompor. A produção industrial dessa guloseima começou nos Estados Unidos em 1872,  quando Thomas Adams fabricou o primeiro lote empregando resinas naturais. Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), entraram em cenas as substâncias sintetizadas a partir do refino do petróleo. A troca aconteceu para diminuir os custos já que a borracha sintética é mais barata que a resina natural.

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Além de grudar na sola do sapato e dar um trabalhão para tirá-lo, em Singapura, um inocente chicletinho colocado na porta de um vagão do metrô interrompeu o serviço por duas horas. Por causa do transtorno e sob o pretexto de que os custos com limpeza de ruas e calçadas estavam muito altos, em 1992, o governo baniu a importação, fabricação e venda da goma de mascar. Só em 2004, chicletes com finalidades terapêuticas – como aqueles com nicotina ou sem açúcar – podem ser comprados apenas em farmácias mediante pedido médico e documento de identificação. Turistas têm que apresentar o passaporte.

Por mais insignificante que um chicletinho pareça, pense, sem levar em conta proibições ou leis, nos impactos no meio ambiente e até nos transtornos que ele pode causar no dia a dia. Essa reflexão obviamente não se aplica apenas à goma de mascar. Pequenas atitudes reduzem o desperdício. Eu mesmo já masquei muito chiclete em um passado não tão distante assim, mas acredito que viver de maneira mais sustentável exige aprendizado e disposição. Por isso, o conhecimento é uma das ferramentas que devemos usar, sem moderação, para fazermos a diferença e vivermos em um mundo com menos lixo… por favor!

 

 

 

 

‘Menos Lixo, Por Favor!’ no ‘PorQueNão?’

A Diorela Kelles é jornalista e integra a equipe do PorQueNão?, um coletivo de mídia independente incrível que difunde iniciativas para uma sociedade mais inteligente e integrada. Assim que março começou a dar sinal de vida, a Diorela incluiu este blog em um artigo sobre 12 perfis no Instagram que inspiram as pessoas a seguir uma rotina com menos desperdício e – claro! – menos lixo.

Ah, se você ainda não conhece o perfil do Menos Lixo, Por Favor! no Instagram, dá uma passadinha lá: @menoslixo_porfavor. E se sobrar um tempinho, também curta a página no Facebook: www.facebook.com/menoslixopf

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Diorela Kelles e pessoal do PorQueNão?, muito obrigado por apoiar o Menos Lixo, Por Favor! e – como a própria Diorela escreveu – essa “turma linda que relata seus ensaios e descobertas por menos desperdício nos instagrans”.