8 dicas para produzir menos lixo

A cada dia que passa, descubro e aprendo novas formas de diminuir o lixo que produzo. Por enquanto, compartilho oito dicas que, se adotadas, mesmo que aos poucos, já vão fazer uma grande diferença para evitar o desperdício e, assim, transformar a casa, a rua, o bairro, a cidade, o estado, o país, o continente e, claro, o planeta onde vivemos em um lugar melhor. Isso soa meio clichê… na verdade, muito clichê, mas não é legal saber que um pedaço de sacola plástica pode ir parar no estômago de um animal marinho ou que uma garrafa PET é capaz de entupir um bueiro. Não precisamos depender de ninguém para começarmos a mudar nossa realidade para melhor.

1 – Simplifique sua vida

Você precisa mesmo comprar mais um par de sapatos se já tem quinze? Mesmo sem nem conseguir guardá-los direito no armário? Um fica por cima do outro e não dá para alcançar alguns que estão lá no fundo. E tem um sapato (ou mais de um, quem sabe) que só deu para usar uma ou duas vezes porque seu pé ficou machucado. Claro que essa situação não vale apenas para sapatos! Dê uma volta pela sua casa ou apartamento e reflita sobre seus pertences e suas necessidades. Evite acumular coisas que não precisa, como contas de telefone do tempo em que nem existiam smartphones, que, agora, só entopem as gavetas, eletrodomésticos quebrados que ocupam espaço no armário da cozinha, medicamentos e cosméticos vencidos e esquecidos no banheiro etc. Dê um jeito de doar aquilo que já não é útil para você, mas pode ter serventia para outras pessoas, vender aquilo que está em bom estado e pode servir perfeitamente para outras pessoas, consertar coisas que ainda são úteis para você, ajustar roupas que ficaram largas, mas ainda estão ótimas (que tal levar aquela calça quase nova para um alfaiate ou uma costureira?) ou reciclar aquilo que realmente já não serve mais para nada, só para ocupar espaço e atrapalhar sua vida. Excesso causa desorganização no ambiente em que vivemos ou trabalhamos. A desorganização, por sua vez, leva à perda de tempo e, portanto, desperdício de energia que poderíamos empregar em atividades que realmente importam.

2 – Recuse artigos descartáveis

Sei que às vezes é bem complicado não aceitar canudinhos, copos plásticos ou guardanapos de papel. Não tem jeito, a gente nem precisa pedir e eles chegam até nós. Mas, quando possível, diga não, sem se esquecer de ser gentil – é claro!

No vídeo abaixo, Rob Greenfield passou um mês em Nova York “vestindo” o lixo que produzia. Ele aceitou tudo que lhe ofereciam, como canudos, copos, garrafas, sacolas plásticas e panfletos, e não jogou nada fora. Pelo contrário, carregou tudo em uma roupa projetada para mostrar como o lixo ocupa espaço, porque, descartamos aquilo que já não tem mais serventia e esquecemos que aquele inocente copinho de café descartável não se desintegra quando vai para a lata de lixo. Nesse experimento, ele viveu como um americano médio que, diariamente, produz cerca de dois quilos de lixo por dia. Em um mês, portanto, são 60 quilos! Para tudo que é descartável, há sempre uma alternativa que não é descartável. Que tal usarmos nossas próprias garrafas, copos ou canecas? E o guardanapo de papel? Bom, há sempre o bom e velho guardanapo de pano, né? Lavou tá novo! Claro que isso não resolve o problema, mas já diminui bastante a quantidade de lixo por aí.

3- Carregue sua própria sacola

Ter sempre à mão uma ecobag – prefiro chamá-la de sacola de pano – na bolsa, na mochila ou no porta-mala do carro, elimina a necessidade de levar para casa sacolinhas plásticas. Embora algumas dessas sacolinhas, principalmente aquelas distribuídas em supermercados – sejam oxidegradáveis, ou seja, prometem ser de rápida decomposição, elas não são tão bacanas assim quanto parecem. Além de suas partículas não se decomporem totalmente, porque não são 100% biodegradáveis, podem contaminar peixes e outros animais até entrarem na cadeia alimentar humana. Só os seres humanos sabem o que é uma sacola; os outros animais não têm condições de diferenciar uma sacola de um pedaço de alimento, seja ele qual for! Não é à toa que a tartaruga da imagem abaixo foi fotografada com um pedaço de saco plástico na boca, né?

tartaruga_comendo_plastico1

4 – Prefira alimentos naturais

Será que vale a pena comprar um pacote de macarrão instantâneo sabor legumes que fica pronto em apenas três minutos? Preparar um macarrão de verdade, que leva em sua composição apenas farinha, água e ovos e um molho – de verdade também! – com legumes frescos é tão prático e rápido quanto essa opção que fica pronta em três minutos. A massa da opção instantânea é feita basicamente de gordura, por isso que fica pronta tão rápido, e ainda contém uma série de ingredientes misteriosos, como “estabilizantes tripolifosfato tetrassódico”. O molho, que na verdade é um pozinho colorido, vem entupido de sódio.

A jornalista Francine Lima prova, no vídeo abaixo do canal Do campo à mesa, que, sim, é possível fazer comida de verdade, com ingredientes de verdade, de forma prática e rápida sem gastar rios de dinheiro. Não se engane! O macarrão instantâneo não é tão barato quanto parece, viu? Quase me esqueço de dizer que as embalagens plásticas tanto do macarrão, quanto do pozinho que vira molho, embora sejam feitas de plástico, não são recicláveis. É isso mesmo! Nem todo plástico é reciclável. E alguns tipos de plástico, quando chegam às cooperativas são descartados como lixo comum, porque, em alguns locais no Brasil, ainda não há tecnologia para reciclá-los. Portanto, os ingredientes fazem mal à saúde e as embalagens podem causar problemas ambientais.

Você já viu um comercial sobre tomate ou cenoura na TV? Algo como “Coma cenoura que faz bem à saúde!”. Claro que não, né? É óbvio que comer cenoura faz bem à saúde. Só que há uma infinidade de comerciais de comida processada cheia de ingredientes artificiais que tentam justificar – ou criam justificativas – como fazem bem para a saúde ou são indispensáveis no dia a dia. Ou seja, comida de verdade não precisa de propaganda. Porém, a comida que não é tão de verdade assim precisa de muita publicidade. É a velha tática do “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Sabe quem inventou isso? Não? Copie e cole essa frase no Google caso tenha curiosidade em descobrir.

5 – Faça compostagem

Ao consumir mais comida de verdade, deixando de lado as opções industrializadas, a quantidade de papel, plástico, metal e vidro tende a diminuir consideravelmente. Por outro lado, vão sobrar mais restos de frutas, vegetais, hortaliças e legumes. Caso jogue tudo no lixo comum, esse material vai direto para o aterro sanitário mais próximo da sua casa e você vai perder – acredite! – um poderoso fertilizante. Para obtê-lo, basta contar com a ajuda de minhocas. Sim! Minhocas que vivem em uma composteira doméstica, também conhecida como minhocário. Esses pequenos animais transformam os restos de alimentos em chorume, um poderoso fertilizante para plantas, flores, jardins e até hortas.

minhocc3a1rio.jpg

Caso não tenha espaço em casa para fazer compostagem ou não quiser conviver com as minhocas, há pelo menos outras duas alternativas. Uma delas é levar os resíduos orgânicos para o pátio de compostagem da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo, ou, em Porto Alegre, chamar a Re-ciclo, uma empresa que busca, de bicicleta, esse material na casa dos clientes  e o transforma em adubo. Por enquanto só conheço essas opções. Caso saiba de outras, por favor, deixe-as nos comentários.

6 – Consuma menos, compre com mais qualidade

Diminuir o consumo não significa deixar de gastar dinheiro com aquilo que precisamos. Temos que comer, nos vestir, estudar, trabalhar, nos divertir etc. Mas devemos refletir sobre nossas ações e evitar o desperdício. Pode parecer repetitivo, já que na primeira dica mencionei sapatos, mas atualmente, há sapatos e outras peças do vestuário cada vez mais baratas que não chegam a durar uma estação. São tão descartáveis quanto talheres de plástico de um restaurante fast-food. Essas roupas que, além de perderem a graça, desbotam ou ficam deformadas depois de poucas lavagens, fazem parte da tendência fast fashion. Sem graça, desbotadas e deformadas, elas já não servem mais e deixam o armário entupido, vão para a doação ou até mesmo são descartadas como lixo comum e acabam enchendo ainda mais os aterros sanitários. Cada vez mais peças são confeccionadas com tecidos sintéticos, como o poliéster, que, por ser um material plástico – derivado do petróleo -, provoca uma série de impactos ambientais. E durante a lavagem, esses tipos de tecidos soltam microfibras de plástico, que chegam aos mares e oceanos e contaminam animais da base da cadeia alimentar marinha, como o plâncton. Já falei aqui neste blog sobre as microesferas de plástico, que não são muito diferentes das microfibras de plástico, e estão presentes em cosméticos, pastas de dente e sabonetes.

Além disso, as roupas, em aterros sanitários, liberam uma verdadeira mistura tóxica de poluentes, como carbono e metano. Vale mais a pena, tanto para o bolso quanto para a consciência ambiental, ter menos peças e de qualidade e durabilidade superiores. Além de durarem mais, você não vai precisar repô-las o tempo todo. E sempre que possível ajuste ou conserte suas roupas. Tem  um monte de costureiras e alfaiates por aí prontos para ajudar. Também vale a pena comprar peças de segunda mão, viu? Lembrando que isso não vale apenas para roupas. Aplique esse raciocínio para eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, móveis… bom, vou parar por aqui. Acho que já deu para entender, né?

os-aterros-sanitarios-com-residuos-texteis

7 – Recicle com consciência

Separar vidro, papel, plástico, metal e resíduos orgânicos representa apenas uma das muitas partes que envolvem o complexo e oneroso processo de reciclagem. Embora hoje em dia quase tudo seja reciclável, mesmo aquilo que pode ir à reciclagem pode não ser reciclado. Isso vale, entre outros materiais, para as elegantes e práticas cápsulas de café expresso. Feitas de plástico e alumínio, elas preenchem, na teoria, todos os requisitos para serem recicladas. Mas, na prática, como o processo é extremamente caro e trabalhoso, a reciclagem acaba não acontecendo. Uma matéria publicada no jornal O Globo – clique aqui para lê-la – mostra porque vale a pena pensar duas vezes antes de tomar aquele cafezinho de cápsula. Se for possível, opte pelas opções coadas ou prensadas. Lembrando que ao utilizar a prensa francesa ou a cafeteira italiana, além da bebida só vai restar a borra do café que pode ir direto para a compostagem, ou seja, alimenta as minhocas do minhocário. E o filtro do café coado também tem acesso livre no minhocário. Eu preferi, depois que minha cafeteira elétrica parou de funcionar, deixar de lado os coadores e usar uma Prensa Francesa.

capsulas-cafe

Aquelas etiquetinhas grudadas nas cascas de frutas, legumes e verduras, que servem para informar a procedência e o produtor, não são recicláveis em hipótese nenhuma. Nem adianta considerá-las um tipo de plástico, porque, quando chegam às cooperativas, são descartadas como se fosse lixo comum e vão parar em aterros sanitários.

Quando entendemos que determinadas coisas são recicláveis e outras não, passamos a repensar o consumo. Assim, deixamos de jogar o toda a responsabilidade nas costas da reciclagem. Ao consumirmos com mais responsabilidade, descartamos melhor. Depois que passei a fazer compras a granel – utilizando meus próprios potes -,  e deixei de comprar tanta comida industrializada embalada em papelão, plástico, alumínio, e por aí vai, a quantidade de lixo reciclável diminuiu. Por outro lado, ao substituir a comida industrializada por legumes, verduras e frutas frescas e, de preferência, orgânicos, claro que a quantidade de cascas, caroços, só para citar alguns exemplos, aumentou . Sorte das minhocas que vivem na minha composteira e das plantas que se nutrem com o chorume produzido por elas. E, por favor, abra mão de sacolas e embalagens descartáveis quando você for em lojas, supermercados e farmácias. Podemos carregar na mão ou em sacolas de pano muitas coisas. Esse parágrafo está bem repetitivo – desculpe! Já falei sobre tudo isso nesta postagem, mas acho que é sempre bom reforçar alguns hábitos que fazem a diferença.

8 – Espalhe essas ideias

Se você chegou até aqui – sim, este é o último item! – e acha que outras pessoas devem ler essas dicas, por favor, compartilhe-a. Use as redes sociais ou converse pessoalmente com seus amigos e amigas sobre esses assuntos. Tente, aos poucos, mudar sua rotina. Nada acontece do dia para a noite nem da noite para o dia. Pequenas mudanças, já fazem uma grande diferença para vivermos em um mundo com menos lixo (por favor!) e sem tanto desperdício. Lembre-se o aprendizado e as descobertas de novas possibilidades e alternativas é constante.

Caso tenha mais dicas, sugestões e críticas, deixe-as nos comentários ou mande um e-mail para danielnavarro@ig.com.br

Compostagem fora de casa

Minha composteira fica em um canto da cozinha no apartamento em que vivo em São Paulo. As minhocas que habitam nela se encarregam de transformar os resíduos orgânicos – restos de verduras, frutas e outros alimentos – em um poderoso fertilizante líquido. Não vou me estender no assunto, porque já contei essa história com mais detalhes em uma postagem neste blog.

Por outro lado, muita gente ainda não mantém um minhocário em casa. As razões, que são as mais diversas e compreensíveis, vão desde a falta de tempo para cuidar das minhocas e dos resíduos, o preço – não é tão barato assim adquirir um, mas acho que o investimento acaba valendo a pena -, a falta de espaço e até a dificuldade em conviver com as minhocas – há que ache nojento lidar com elas (eu não acho, mas, ok, entendo).

Há quem mantenha composteiras fora de casa; em quintais ou jardins. A Cris Faria mora na Bahia e faz parte desse grupo de pessoas, mas está passando um tempo em São Paulo. Por isso, vou deixar a Cris contar como está se virando com os resíduos orgânicos aqui na capital paulista. Adianto que, no bairro da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo, há um pátio de compostagem mantido pela prefeitura.

“Desde que me mudei para Piracanga em 2014, me acostumei a viver com composteira. Daquelas que ficam fora de casa, que a gente joga de todo tipo de resto de alimento, cobre com folha seca e vira e tals.

Durante esses dois anos e nove meses morando lá, quando eu vinha pra São Paulo passar duas, três semanas, ficava sem saber o que fazer com os meus resíduos organicos. Simplesmente não dava mais pra jogar no lixo comum.

Recebi a ajuda de amigos que me liberaram espaço em seus minhocários (CaioRobertaYgorCeci), ou que ofereceram o jardim do sítio pra jogar as cascas de laranja e limão que não iam pros minhocários (Beatriz), ou que ainda me ofereceram a composteira da vizinha da rua sem saída (Luciana). Agradeço também o Alexandre Attia, que também recebeu no Vila das Rosas uma parte dos meus resíduos gerados em novembro. E agradeço também a Fabiana, que foi quem os levou lá!

Nesse tempo sempre pesquisava alternativas e descobri o pátio de compostagem da Lapa, projeto da prefeitura criado para destinar os restos das feiras e revertê-los em adubo para os jardins e praças da cidade. No site diz que aceitam resíduos de residências, mas nunca consegui confirmar essa informaçao por telefone.

Estou de volta a São Paulo até o final de janeiro. Cheguei aqui dia 21 de dezembro. A primeira leva de resíduos foi para a composteira da vizinha da rua sem saída, que ja havia me ajudado em novembro passado.

Hoje, já com três potes grandes de sorvete cheios de resíduos orgânicos, resolvi ir até o pátio da Lapa e perguntar se poderia jogá-los lá. Foi então que conheci o Bil, que trabalha no pátio e me apresentou todo o funcionamento do local. Para minha mais pura alegria, disse que eu poderia sim deixar ali os meus resíduos. Claro que antes perguntou o que eu trazia, e expliquei que não tinha nenhum resíduo de alimento de origem animal.

15826471_1234182463316276_8323477422425705056_n

Obrigada, Bil! E obrigada também ao Paulo, colega do Bil, que me explicou como fazer uma composteira em casa onde eu posso jogar qualquer tipo de resto de alimento.

15873249_1234182456649610_3939483174142611277_n

Amigos que me ajudaram todos esses tempos, obrigada! Agora já achei um lugar pra destinar os restos orgânicos.

Agora sou eu quem agradeço, Cris, por você compartilhar comigo e com os leitores deste blog essa história! Muito obrigado!!! Tomara que essa iniciativa se espalhe por outros bairros de São Paulo, por outras cidades do estado, por outros estados e por outras cidades em outros estados etc etc etc.

Clique na imagem abaixo e assista à uma matéria de quatro minutos do G1 sobre o pátio de compostagem da Lapa:

Captura de Tela 2017-01-06 às 14.39.05.png

Um copinho não é apenas um copinho

Um copo de iogurte encontrado em uma praia no Canadá mostra que o plástico leva mais de 40 anos para se decompor. Na embalagem – intacta! – dá para ler, em francês, que o “Yoplait é o iogurte oficial dos Jogos Olímpicos de 1976”. Faz tempo, né? É só fazer a conta: 2017 menos 1976 é igual a 41! Eu nem tinha nascido quando Montréal sediou essa Olimpíada. A foto desse tuíte de 25 de novembro de 2016 viralizou e as opiniões se dividiram. Algumas pessoas juraram de pés juntos que o copinho era um item de colecionador, enquanto outras tinham certeza de que se tratava de um símbolo da poluição.

captura-de-tela-2017-01-02-as-12-30-18

Quando você limpa uma praia e encontra um Yoplait dos Jogos Olímpicos de 1976.

Mesmo existindo dúvidas, a imagem carrega uma mensagem importante: um copinho de iogurte não é apenas mais um copinho de iogurte, porque, quando descartado incorretamente, ele pode se tornar uma ameaça à saúde de peixes, animais e seres humanos. Mais de 90% das aves marinhas carregam restos de plástico nos seus estômagos, de acordo com o site do documentário Plastic Oceans, que estará disponível em breve no iTunes. O site do filme também explica que a concentração de elementos químicos tóxicos presentes no plástico aumenta à medida que passa a integrar a cadeia alimentar. Esse processo, que se chama bioacumulação, começa quando um peixe pequeno, por exemplo, ingere algas com partículas de poluentes antes de ser consumido por peixes maiores, como o atum. Os seres humanos, por sua vez, quando comerem atum, poderão absorver uma quantidade maior de toxinas.

Ainda falando sobre vida marinha, há algum tempo, comentei em uma postagem neste blog que canudinhos não são nada inofensivos. Basta digitar no campo de busca do Google  “tartaruga” e “canudo” para testemunhar o sofrimento que um pedaço de plástico pode causar.

Existem diversos tipos de plástico com composições e aplicações das mais diversas. Basta olharmos ao nosso redor e o veremos por todas as partes. A estimativa é que alguns deles levam até 200 anos para se decompor. E essa estimativa é realmente uma estimativa porque o plástico é um material relativamente novo na natureza. O primeiro modelo – o Parkesine – surgiu só em 1862. E lá vai outra conta rápida: 2017 menos 1862 é igual a 155 anos!!! Criado pelo britânico, Alexander Parkes, esse material, obtido a partir da nitrocelulose e da cânfora, também conhecido como piroxilina ou celulose, surgiu como uma alternativa para substituir o marfim (pobres elefantes!) empregado na produção de bolas de bilhar.

Só que as bolas de bilhar demonstraram ser fracas demais e esse tipo de plástico acabou se mostrando útil na produção de dentaduras, filmes fotográficos e de cinema, cabos de escovas e facas, bolas de ping-pong, bonecas, estatuetas etc.

Atualmente, a matéria-prima dos plásticos geralmente é o petróleo e um dos tipos mais populares é o PET, ou polietileno tereftalato, desenvolvido pelos químicos britânicos Whitfield e Dickson em 1941. Opa! Mais uma conta rápida: 2017 menos 1941 é igual a 76 anos! Fiz essa conta para mostrar que os primeiros artigos fabricados com esse material, caso não tenham sido reciclados, o que é bem provável porque processo de reciclagem de garrafas PET só começou nos anos 1980 nos Estados Unidos, ainda devem estar por aí. Lembre-se: alguns plásticos, como o PET, levam dois séculos para se decompor no meio-ambiente. E lembre-se também que isso é apenas uma estimativa, já que ainda não existem garrafas PET de 200 anos.

lixo_g1

Para finalizar, a foto acima foi tirada na manhã de 1º de janeiro de 2017 depois da festa de réveillon realizada na Praia de Iracema, em Fortaleza. Em meio a tanto lixo, destacam-se garrafas PET de variados tamanhos e cores. Se a estimativa dos cientistas estiver correta – vem aí mais uma conta – essas garrafas só desaparecerão em 1º de janeiro de 2217.

Catadores e funcionários da empresa responsável pela coleta de lixo na capital cearense trabalham para manter o local limpo, mas será que já não chegou a hora de imagens como essa não representarem mais o fim de uma festa? Para isso acabar, devemos repensar o consumo e os nossos hábitos. Não é difícil… se tentarmos! Como um copinho não é apenas um copinho, uma garrafa PET também não é apenas uma garrafa PET. Pense nisso!!!