Antes de jogar fora sua Havaianas, leia este post – parte 2

Um dos assuntos com mais repercussão neste blog não sai do pé de brasileiros, brasileiras, estrangeiros e estrangeiras. Recebi uma foto de uma leitora que apenas se identificou como Bia. Ela contou que trabalha com projetos sociais e recebeu uma doação meio capenga, que para alguns significaria apenas lixo. Mas ela precisou apenas de um preguinho para dar vida nova a um par de sandálias havaianas rejeitado por seu antigo dono ou dona

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Olha só o preguinho segurando o suporte da tira que se rompeu

Clique aqui para ver outras sugestões de como aumentar a vida útil das sandálias sem precisar descartá-las.

E você, tem mais alguma dica? Não precisa ser apenas para sandálias havaianas. Se sim, mande-a para mim no e-mail danielnavarro@ig.com.br, no Facebook – https://www.facebook.com/menoslixopf/ – no Instagram – @menoslixo_porfavor ou deixe-a aqui nos comentários.

 

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Antes de jogar fora sua Havaianas, leia este post

Quando contei aqui e no Instagram que uma das tiras da minha Havaianas se rompeu depois de cinco anos de bons serviços prestados e que o programa de reciclagem da marca é bem fraquinho, recebi dicas de como aumentar a vida útil das sandálias sem precisar descartá-las:

millalunardi – A do meu noivo aconteceu isso e ele queimou a pontinha e fez o formatinho redondo pra continuar segurando, e segue usando para não jogar fora.

michele_lcavalcante – A da minha mãe quebrou também, então dei uma sugestão de usarmos umas tiras de tecido para fazermos outras. Fizemos e ficou muito legal. Menos um lixo!

sformagio – Sabia que em feiras livres aqui em São Paulo há sempre uma barraquinha que vende pares de tiras?

vivian.barelli – Troque a tira rompida e use mais alguns anos. Existe à venda em várias cores.

Muito obrigado, pessoal!!!

E você, tem mais alguma dica? Se sim, mande-a para mim no e-mail danielnavarro@ig.com.br, no Facebook – https://www.facebook.com/menoslixopf/ – no Instagram – @menoslixo_porfavor ou deixe-a aqui nos comentários.

 

 

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Como e onde descartar corretamente os medicamentos vencidos

Talvez estejam abandonados em algum canto da sua casa meia cartela de comprimidos, um resto de pomada ou um finalzinho de xarope. Como já ultrapassaram a barreira da data de validade, você não sabe o que fazer para se livrar deles, né? Nem pense em jogá-los no vaso sanitário e dar a descarga ou no lixo comum. Muitas farmácias, inclusive as de manipulação, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e supermercados recebem medicamentos vencidos, além de materiais cortantes e pontiagudos, e os encaminham ao seu destino final sem o risco de contaminar o meio ambiente.

Clicando aqui você terá acesso a uma ferramenta que busca os locais de coleta e descarte mais próximos da sua residência

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O material recolhido nesses postos de coleta segue para a incineração em usinas que trabalham de acordo com as normas ambientais. Eu mesmo visitei várias vezes a usina de incineração de Fortaleza, no Ceará, e me lembro muito bem de como tudo acontece. Os resíduos de hospitais, clínicas médicas e veterinárias e farmácias são incinerados em um forno. Os gases resultantes da queima, depois de tratados e filtrados, são liberados para a atmosfera. As cinzas seguem para aterros sanitários.

Quando os medicamentos não passam por esse processo e são lançados no sistema de esgoto, suas substâncias contaminam a água e o solo, podendo afetar o organismo e o metabolismo de peixes e outros animais, além de nós, seres humanos, que bebemos essa água e consumimos e nos alimentamos desses animais. Se os resíduos são descartados de qualquer jeito e se perdem por aí, à medida que se decompõem, contaminam o solo.

As pessoas que trabalham diretamente com resíduos, como garis e catadores, também correm perigo. Em um prédio onde morei, um funcionário, no momento em que dava o nó em um saco de lixo para fechá-lo, teve seu braço direito picado por uma agulha. Dentro do saco foram encontradas várias agulhas com o sangue de algum morador que estava fazendo algum tipo de tratamento e não descartou como devia esse perigosíssimo material. Esse morador nunca apareceu sequer para lhe pedir desculpas.

A síndica, por sua vez, não queria liberar o funcionário durante o horário de trabalho para fazer exames e receber o tratamento preventivo em um hospital nem reembolsar os custos do transporte. Para chegar ao hospital, ele precisava tomar dois ônibus – o trajeto levava pelo menos uma hora e meia – e o turno dele era das 6h às 14h. Quando perguntei à síndica se o condomínio  fornecia EPIs ao funcionário, ela achou que eu estava falando grego e tive que explicar que essa sigla significa Equipamentos de Proteção Individual. Depois de gaguejar e tentar desconversar, ela confessou que ele não usava botas nem luvas, muito menos um uniforme apropriado. O curioso é que no dia seguinte esses itens apareceram como em um passe de mágica, ele pôde ir ao hospital durante o horário de trabalho e as despesas com o transporte passaram a ser pagas.  O funcionário, felizmente, não contraiu nenhuma doença infecciosa e se recusou a procurar um advogado.

Quase me esqueci que os medicamentos vêm acondicionados em caixas de papelão com bulas impressas em papel, frascos de vidro ou de plástico e tubos de metal ou de plástico. Esses materiais obviamente podem ser encaminhados à reciclagem. As cartelas de comprimidos, feitas de alumínio e de uma camada de PVC, passam por um processo de reciclagem mais complexo, no qual há a separação dos dois componentes, e, infelizmente, há poucas empresas no Brasil especializadas nesse trabalho.

Muita gente descarta medicamentos vencidos no lixo ou no esgoto por falta de informação. Então conte para amigos e familiares que existem pontos de coleta e compartilhe essa postagem com seus contatos nas redes sociais!

O que fazer com a bituca de cigarro?

Muita gente acha que praia, além de uma grande lixeira, não passa de um cinzeiro. Os filtros de cigarro ocupam o primeiro lugar no ranking dos dez tipos de resíduos mais encontrados no litoral do Brasil. Nos outros degraus do pódio aparecem tampas de garrafa PET e canudos. Em seguida vêm garrafas, sacolas e embalagens plásticas, copos e pratos descartáveis, garrafas de vidro, pedaços de isopor e talheres de plástico. O levantamento foi realizado a partir dos mutirões de limpeza da Semana Mares Limpos de 2017, organizado pela ONU Ambiente em parceria com o Instituto Ecosurf.

Esse problema infelizmente não se restringe às areias das praias. Basta dar poucos passos para encontrar bitucas jogadas pelas calçadas e nas sarjetas de qualquer cidade do país. E quando chove, as bitucas incham e se tornam uma das responsáveis pelo entupimento de bueiros e das enchentes. Há também quem insista em arremessá-las pela janela dos carros na beira das rodovias. Segundo o Governo do Estado de São Paulo – só para citar um exemplo -, o arremesso de bitucas é um dos principais causadores de incêndios. As queimadas provocam danos ambientais gravíssimos e reduzem a visibilidade dos motoristas por conta da fumaça.

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Uma única bituca precisa de pelo menos cinco anos para se decompor e o cigarro por si só contém mais de 4,7 mil substâncias tóxicas que contaminam o ar, o solo e a água – do mar, dos rios e dos córregos. Claro que nem todo o mundo vê o planeta como um enorme cinzeiro e se preocupa em descartar corretamente os restos de cigarro. Mas mesmo assim, há apenas duas alternativas: aterros sanitários – quando chegam até eles – e reciclagem.

O problema é que a reciclagem ainda não ocorre em larga escala, embora já existam tecnologias capazes de retirar elementos químicos das bitucas para transformá-las em matéria-prima para indústrias siderúrgica, de cimento, de plástico, de papel, de adubo e até de fibras naturais. Mas vale a pena lembrar que qualquer processo de reciclagem é extremamente complexo e requer energia e recursos naturais.

Já que o descarte – mesmo que correto – e a reciclagem não resolvem o problema das bitucas de cigarro, o que fazer com elas? Acho que a resposta é bem simples, mas, dessa vez, convido você, leitor ou leitora, deste blog, a apontar as alternativas ou a alternativa, caso a tenha. Então, registre, por favor, sua opinião nos comentários, ok?

 

 

5 dicas para produzir menos lixo comprando no supermercado

Levar para casa apenas a quantidade do produto que você precisa em embalagens reutilizáveis ajuda bastante a reduzir o desperdício e o descarte de resíduos e de embalagens. Em julho de 2016 contei como funcionam as compras a granel (leia mais aqui). No bairro onde moro, em Pinheiros, São Paulo (SP), há diversas opções e a minha preferida é o Empório La Granola. Abasteço meus potes de vidro e sacos de pano reutilizáveis com arroz, feijão, lentilha, azeitonas, temperos, nozes, farinha integral, frutas secas, aveia etc.

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Quinoa comprada a granel em saco de pano

Só que nem tudo é vendido assim tanto lá como em outros estabelecimentos do ramo. Embora as opções de lojas e de produtos a granel aumentem a cada dia que passa, dependendo da correria do dia a dia, nem todo mundo tem tempo, infelizmente, para ir a esse tipo de loja que também não chegou ainda em muitas cidades, bairros, ruas…

Então sobram os mercados, supermercados e hipermercados. Mas até mesmo nesses locais em que os produtos industrializados dominam as prateleiras, é possível fazer compras e diminuir – e muito! – a quantidade de lixo. Além de já sair de casa com sacolas retornáveis e planejar para não colocar no carrinho itens desnecessários, evitando assim o desperdício de tempo, dinheiro e calorias – que você não precisa ingerir -, fique atento às dicas abaixo:

1 – Inclua mais verduras, legumes e frutas e evite os alimentos processados e ultraprocessados

Os alimentos processados e ultraprocessados nem podem ser chamados de comida e sim de fórmulas. Isso mesmo, fórmulas! Um salgadinho sabor queijo ou uma bolacha recheada de “morango” são tão modificados industrialmente com a introdução de tantas substâncias capazes de modificar radicalmente sua composição que, se você ler os ingredientes, vai encontrar tudo menos alimentos. Essas fórmulas industriais embaladas em papelão e plástico – muitas vezes impossíveis de reciclar – contêm grandes quantidades de sódio, açúcar, gordura saturada e trans, conservantes e calorias proporcionam aumento de peso e podem provocar uma série de problemas de saúde, como diabetes, colesterol alto, doenças cardiovasculares, hipertensão, alergias, diversos tipos de câncer, AVC e por aí vai. Embora sejam opções muito mais baratas, em um futuro não muito distante a conta da farmácia poderá ir para as alturas.

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Frutas, legumes e verduras frescas, além de assombrosamente mais saudáveis que os “alimentos ultraprocessados, chegam até você em embalagens naturais que não são recicláveis, mas são compostáveis, o que é infinitamente melhor para o meio-ambiente. As cascas de laranja, banana ou melancia, só para citar alguns exemplos, já são perfeitas por natureza. Então pra quê fazer isso aí que aconteceu na foto abaixo? Ah, prefira orgânicos, embora exista muita gente interessada em dificultar sua comercialização.

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Mexerica, tangerina ou bergamota – você decide! – descascada vendida em bandeja de isopor embalada com plástico filme. Há necessidade disso?

Essa estratégia também vale para carne, peixe, frango e laticínios. Leve seu próprio pote ao supermercado, ao açougue ou à peixaria. Assim você evita levar para casa embalagens de plástico nem bandejas de isopor descartáveis e não precisará se preocupar com reciclagem. Assim como frutas, legumes e verduras, prefira sempre os orgânicos, caso os encontre.

2 – Prefira embalagens de papel ou de vidro

Não teve jeito, você está no supermercado e tem que comprar macarrão e molho de tomate. Dentre as opções disponíveis, escolha o macarrão que vem na embalagem de papelão, que pode ser reciclado mais facilmente que o plástico. Como eu já disse, há vários tipos de plástico e muitos não são recicláveis nem reciclados.

E para o molho? Claro que é melhor comprar tomates frescos e preparar o próprio molho, né? Se não for possível, opte pela marca que oferece potes de vidro. Esse material é 100% reciclável infinitas vezes. Como o pote do molho de macarrão não precisa ir para a reciclagem, você pode reaproveitá-lo para guardar tudo que quiser e – claro! – fazer compras a granel.

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Canela em pó armazenada no pote de vidro que originalmente continha melado de cana

3 – Opte por embalagens com maiores quantidades

Para alimentos duram bastante, como é o caso do macarrão do item acima ou os tradicionais arroz e feijão, evite levar para casa pequenas quantidades ou produtos embalados um a um. Por que não comprar cinco quilos de arroz e estocar adequadamente ou até mesmo uma garrafinha de 1 litro de iogurte em vez de um punhado de copinhos? Parecem pequenas atitudes, até insignificantes, mas, acredite, já fazem muita diferença!

4 – Cozinhe mais

Uma embalagem de comida pronta ou delivery não é apenas uma embalagem. Trata-se na verdade de uma coleção de embalagens. Apenas um pedido contém papelão, plástico e isopor, já reparou? E mesmo que você encaminhe tudo para a reciclagem, pouca coisa é aproveitada. Todo o material sujo não pode ser reciclado, desde um guardanapo de papel até a caixa de papelão para pizza com queijo grudado. Preparar a própria comida, além de diminuir a quantidade de lixo, é muito mais saudável.

5 – Plante a própria comida

Confesso que sou um desastre na jardinagem! Tenho apenas esse pé de manjericão que me ajuda na cozinha. Temperos à venda em supermercado vêm embalados em plástico, ou melhor, muito plástico. Mas se você tem mais habilidade que eu e espaço suficiente, além de temperos frescos, considere ter uma horta ou uma mini-horta em casa.

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Iniciativa da Havaianas recicla pouco e tem divulgação fraca

Nos anos 1970, o humorista Chico Anysio estrelava anúncios na TV, no rádio e em jornais e revistas nos quais garantia que os chinelos mais populares do país – e talvez do mundo – “não deformam, não soltam as tiras e não têm cheiro”. Mas, em 2017, depois de cinco anos de bons serviços prestados aos meus pés, uma das tiras do meu par de Havaianas se rompeu. Para fazer o descarte da melhor forma possível, entrei em contato com o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) e com a assessoria de imprensa da marca.

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De cara, recebi uma reposta-padrão bem vaga do SAC e precisei insistir para não desistir. Depois de vários e-mails e telefonemas, descobri que as sandálias, quando chegam ao fim da linha, podem ser levadas a caixas-coletoras presentes em algumas lojas da marca. A Haiah, empresa parceira da Havaianas nessa iniciativa, recolhe o material e o transforma em pisos para escolas e tapetes para playgrounds, que são doados a projetos sociais.

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Caixa-coletora da loja da rua Gaivota, em São Paulo (SP). A ideia é muito parecida com a iniciativa da Adidas que a suspendeu em 2017 como já comentei aqui

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem… ou melhor, nem tanto. As Havaianas que não vão parar nesses coletores têm como destino final os aterros sanitários – quando, obviamente, não se perdem pelo caminho e acabam poluindo o meio ambiente. De acordo com um estudo da UnB (Universidade de Brasília), a borracha empregada nas sandálias – constituída de polímeros sintéticos obtidos a partir do petróleo – levam mais de 100 anos para se decompor. Portanto, os primeiros pares de Havaianas fabricados em 1962 ainda devem estar por aí.

Embora não divulgue os números, dá para se ter certeza de que pouquíssimas sandálias vão parar nessas caixas, porque o projeto concentra-se em São Paulo. São nove lojas na capital paulista e uma em Ubatuba (SP). A exceção é a loja de Paraty, no Rio de Janeiro (RJ).

A relação completa das lojas está no final dessa postagem. E talvez esse seja o único local onde você vai encontrá-la. Não adianta procurá-la no site da Havaianaswww.havaianas.com.br – nem no da Haiah – www.haiah.com.br – porque não tem nada neles. Ambos não trazem informações sobre esse projeto de logística reversa. Também fiz uma varredura na internet e não há nada a respeito.

A assessoria de imprensa da marca merece uma menção (nada) honrosa. Encaminhei as mesmas perguntas enviadas ao SAC e o conteúdo do primeiro e-mail que recebi não me ajudou em nada: “Desculpa pela demora na resposta, mas a Havaianas também desenvolve um projeto de logística reversa, em que o consumidor devolve suas Havaianas antigas nas lojas da marca e elas viram um tapete para playgound, que são doados a projetos sociais. Por enquanto, este projeto está nas lojas próprias e em mais vinte franquias”.

Perguntei então se eu poderia receber a relação de lojas e a resposta foi surpreendente: “A Havaianas não divulga esses dados.”. Estranho, né? Muito estranho, na verdade! Por que a marca não forneceria esse tipo de informação, que é fundamental para o funcionamento do programa de logística reversa? Você, leitor ou leitora deste blog, tire suas próprias conclusões, ok? E para piorar, o número de lojas passado pela assessoria de imprensa não bate com o do SAC, que garantiu que as onze lojas participantes do projeto são próprias e franquias.

Caso more ou esteja de passagem na capital paulista, em Ubatuba ou Paraty, é extremamente recomendado entrar em contato com as lojas antes de descartar seu par de Havaianas. Você corre o risco de perder a viagem, porque essa lista é de dezembro de 2017. Confesso que entrei em contato pela primeira vez com o SAC em novembro de 2017 e só consegui ir a uma das lojas descartar meu par de chinelos em abril de 2018.

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O texto da caixa-coletora é bonitinho e simpático, mas deixa muito a desejar

Atualmente os inúmeros modelos de sandálias de borracha são vendidos em mais de uma centena de países. São 520 lojas exclusivas, além das franqueadas, e aqui no Brasil já encontrei Havaianas com os mais variados tipos de estampas e combinações de cores em supermercados, lojas de material de construção e até postos de gasolina, só para citar alguns exemplos. A Alpargatas, empresa que detém a marca Havaianas, estima que 94% dos brasileiros têm ou já tiveram um par – como o slogan anunciava – das “legítimas” e contabiliza mais de quatro bilhões de pares vendidos dentro e fora do país.

Ao longo de mais de cinco décadas, Havaianas tornou-se praticamente sinônimo de chinelo. Os números são impressionantes, sem dúvida, e se pensarmos também na concorrência, a quantidade de sandálias de borracha que circulam ou já circularam por aí chega a cifras inimagináveis. No entanto, há, por parte da Havaianas, apenas 11 locais com caixas-coletoras para as sandálias que são encaminhadas à reciclagem. Além de o programa de logística reversa carecer de divulgação, obter informações não é uma tarefa fácil. Nesse quesito, ao invés de impressionar, a Havaianas decepciona e preocupa.

Mas mesmo se todas as sandálias de borracha – da Havaianas e da concorrência – fossem recicladas, não haveria espaço para tanto piso e tapete de borracha. Além disso, a reciclagem de qualquer material é um processo complexo que demanda recursos, energia e tempo, não sendo assim tão vantajoso para o meio ambiente.

Para encerrar, deixo uma reflexão:

Se cada um de nós tem dois pés, será que precisamos de mais de um par de chinelos?

E – agora para encerrar mesmo! – conforme prometido, lá vai a lista de lojas:

  • Havaianas Rua Eleonora Cintra
  • Havaianas Rua São Bento
  • Havaianas Rua Américo Brasiliense
  • Havaianas Rua 12 de Outubro
  • Havaianas Rua Gaivota
  • Havaianas Central Plaza Shopping
  • Havaianas Conjunto Nacional
  • Espaço Havaianas Rua Oscar Freire
  • Havaianas Shopping Jardim Sul
  • Havaianas Ubatuba (SP)
  • Havaianas Paraty (RJ)

Acesse o endereço e o contatos das lojas em www.havaianas.com/pt-br/nossas-lojas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Evite o chiclete e produza menos lixo

A cidade de São Paulo tem aproximadamente 12 milhões de habitantes. Se colocarmos um elefante africano na balança o ponteiro marcará quatro toneladas. Uma goma de mascar pesa cerca de dois gramas e seu sabor dura uns dez minutos na boca. Agora imagine que todo mundo resolveu consumir um chicletinho e o descartou depois de ficar com gosto de borracha. No fim das contas, sem considerar as embalagens de plástico e de papel, serão 24 mil quilos – ou 24 toneladas – de resíduos, o equivalente a seis elefantes.

Sim, o exemplo é bem esdrúxulo, mas acho que serve para se ter pelo menos uma ideia do tamanho da encrenca. Passando para um dado mais concreto, a cidade de Puebla, no México, possui a maior fábrica de chiclete do mundo. Por ano, são fabricadas 60 mil toneladas de chiclete, ou seja uma manada de 15 mil elefantes, sendo que 70% é destinado ao consumo doméstico e o restante segue para exportação.

A goma de mascar não é reciclável nem compostável e precisa de pelo menos cinco longos anos para se decompor. A produção industrial dessa guloseima começou nos Estados Unidos em 1872,  quando Thomas Adams fabricou o primeiro lote empregando resinas naturais. Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), entraram em cenas as substâncias sintetizadas a partir do refino do petróleo. A troca aconteceu para diminuir os custos já que a borracha sintética é mais barata que a resina natural.

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Além de grudar na sola do sapato e dar um trabalhão para tirá-lo, em Singapura, um inocente chicletinho colocado na porta de um vagão do metrô interrompeu o serviço por duas horas. Por causa do transtorno e sob o pretexto de que os custos com limpeza de ruas e calçadas estavam muito altos, em 1992, o governo baniu a importação, fabricação e venda da goma de mascar. Só em 2004, chicletes com finalidades terapêuticas – como aqueles com nicotina ou sem açúcar – podem ser comprados apenas em farmácias mediante pedido médico e documento de identificação. Turistas têm que apresentar o passaporte.

Por mais insignificante que um chicletinho pareça, pense, sem levar em conta proibições ou leis, nos impactos no meio ambiente e até nos transtornos que ele pode causar no dia a dia. Essa reflexão obviamente não se aplica apenas à goma de mascar. Pequenas atitudes reduzem o desperdício. Eu mesmo já masquei muito chiclete em um passado não tão distante assim, mas acredito que viver de maneira mais sustentável exige aprendizado e disposição. Por isso, o conhecimento é uma das ferramentas que devemos usar, sem moderação, para fazermos a diferença e vivermos em um mundo com menos lixo… por favor!